Chacina do Jacarezinho: 4 dos 27 mortos foram atingidos nas costas

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A man holds a sign written in Portuguese '' Vaccine yes, slaughter no. '' during a  protest against racism and police violence amidst the Coronavirus (COVID-19) pandemic in Rio de Janeiro, Brazil, on May 13, 2021.A massive police operation against drug traffickers in Jacarezinho favela left 25 people dead on Thursday May 6, while residents and activists claimed human rights abuses. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Manifestantes pedem Justiça pelas vítimas da Chacina do Jacarezinho. Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images
  • Informações são dos laudos do Instituto Médico Legal (IML)

  • Outra vítima morreu com disparo à queima-roupa

  • Famílias acusam os agentes de execução

Dos 27 assassinados na operação na favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro, em 6 de maio, quatro foram atingidos com tiros nas costas pela Polícia Civil. Outra vítima morreu por um tiro à queima-roupa, disparado à distância de 60 a 70 cm, característicos de execuções.

As informações são dos laudos de necropsia do Instituto Médico Legal (IML). As famílias das vítimas já haviam acusado os agentes de execução durante a operação, que ficou conhecida como Chacina do Jacarezinho e foi uma das mais letais da história do Rio de Janeiro.

No total, de acordo com os laudos, os 27 mortos foram atingidos por 73 tiros - média de 2,7 por pessoa. A vítima que mais foi atingida levou seis tiros. Além deles, também foi morto um policial civil, André Leonardo de Mello Frias, de 48 anos, que foi a primeira pessoa a morrer na operação, o que levou as famílias da comunidade a acusar os policiais de praticar vingança pela morte do agente.

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As vítimas atingidas pelas costas foram Cleyton da Silva Freitas de Lima, de 26 anos, Isaac Pinheiro de Oliveira, de 22, Jonathan Araújo da Silva, de 18, e Rodrigo Paula de Barros, de 31 anos.

Já John Jefferson Mendes Rufino da Silva, de 30 anos, recebeu dois tiros, incluindo um na barriga, disparado à queima-roupa. A marca do tiro tinha "zona de tatuagem dispersa, sugestiva de que o disparo tenha ocorrido entre 60 cm e 70 cm", afirma o laudo. Zona de tatuagem é a região marcada por restos da pólvora que a arma solta.

A vítima que recebeu mais tiros, todos de fuzis, foi Richard Gabriel da Silva Ferreira, de 23 anos. Ele foi atingido por dois disparos no peito, um na barriga, um nas costas e um em cada braço. Ele foi morto dentro de uma casa, onde a perícia não encontrou sinais de confronto.

A Defensoria Pública do Estado do Rio não comentou as informações, afirmando que ainda não concluiu a análise dos laudos. Já a Polícia Civil declarou que "os laudos são compatíveis com o que ocorre em casos de conflito armado em ambientes confinados" e que "só é possível uma análise técnica após o confronto de todas as provas produzidas, assim evitando conclusões".

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