Chacina de família no DF: entenda o caso em cinco pontos

Dois homens são suspeitos de serem mandantes da morte de seis integrantes da própria família. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), acredita-se que os corpos encontrados em carros carbonizados, no entorno do DF, sejam das vítimas. A hipótese surgiu a partir do depoimento de um dos três suspeitos de terem participado do crime, nesta terça-feira. Nesta quinta, um sétimo corpo foi encontrado e os investigadores apuram se ele tem relação com o caso.

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Um homem preso por participação nos homicídios acusou Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos, e o filho, Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, de 30, também desaparecidos, de arquitetar os assassinatos das mulheres e das crianças. Mas a descoberta do sétimo corpo contraria essa hipótese, segundo o delegado encarregado da investigação.

A polícia suspeita que o crime esteja ligado a R$ 400 mil obtidos pela mulher de Marcos Antônio e mãe de Thiago Gabriel, Renata Juliene Belchior, de 52 anos, com a venda de uma casa em Santa Maria (DF). E também a R$ 100 mil de um empréstimo pedido pela mulher de Thiago e nora de Marcos, a cabeleireira Elizamar da Silva, de 39 anos.

Horácio Carlos Ferreira Barbosa, de 49 anos, Gideon Batista de Menezes, de 55, e Fabrício Silva Canhedo, de 34 anos, foram presos apontados como os executores dos crimes. Com os suspeitos, foram encontrados R$ 10 mil.

Entenda o caso em cinco pontos:

Família desaparecida

Elizamar Silva, dona de um salão de beleza na quadra 307 da Asa Norte, em Brasília, e seus três filhos sumiram na última quinta-feira. No dia seguinte, seu carro foi encontrado carbonizado com quatro corpos dentro.

Ela desapareceu depois de sair para encontrar o marido, Thiago, na casa da mãe dele (Renata), em Itapoã (DF). Segundo uma testemunha ouvida pela PCDF, o casal teria brigado antes de os dois serem dados como desaparecidos. Nesta segunda-feira, a PCDF informou que Thiago, seus pais (Renata e Marcos Antônio) e sua irmã (Gabriela) também estavam desaparecidos.

Carros da família carbonizados

Depois do carro carbonizado encontrado na sexta-feira com quatro corpos dentro, outro veículo foi localizado no dia seguinte, em Unaí, Minas Gerais. Dessa vez, com dois corpos. Na ocasião, a PCDF ainda não sabia dizer se eram da família desaparecida. Os veículos haviam sido reconhecidos como pertencentes aos parentes.

Os documentos desse segundo carro em questão estão no nome de Marcos Antônio. Os cadáveres seriam de Renata e Gabriela, de acordo com Horácio. Nesta quarta-feira, o IML confirmou que os dois corpos encontrados nesse veículo são femininos.

Os supostos mandantes

Nesta terça-feira, um suspeito foi preso. Identificado como Horácio Carlos Ferreira Barbosa, ele disse que Thiago e Marcos Antônio foram os responsáveis por orquestrar os assassinatos. Eles teriam pago R$ 100 mil para Barbosa e mais um suspeito envolvido, Gideon Batista de Menezes, matarem as vítimas. O motivo, segundo Barbosa, seria ficarem com o dinheiro das vítimas.

Das oito pessoas que haviam desaparecido, incluindo os dois supostos mandantes, seis corpos já tinham sido encontrados nos carros. Um sétimo corpo foi localizado nesta quarta-feira e a PCDF apura se tem relação o caso.

Vítimas ficaram em cativeiro

Renata (mãe de Thiago e mulher de Marcos Antônio) e Gabriela (irmã de Thiago e filha de Marcos Antônio) teriam ficado presas em um esconderijo. Em depoimento, um dos três suspeitos presos afirmou que Elizamar e os filhos foram mortos primeiro. Já Renata e Gabriela teriam sido mantidas em cativeiro por cinco dias, até também serem mortas.

De acordo com a investigação, Fabrício Silva Canhedo, de 34 anos, foi responsável por vigiar as vítimas que foram mantidas em cativeiro, em Planaltina, onde teriam sofrido ameaças e violência psicológica, além de terem os olhos vendados. No final desta quarta-feira, a Polícia Civil encontrou no local do cativeiro o sétimo corpo, que pode ter relação com o caso.

A investigação da polícia

Se apossar do dinheiro é a principal hipótese com a qual a PCDF trabalha na investigação dos desaparecimentos. Segundo depoimento de um dos suspeitos presos, Thiago e Marcos Antônio queriam os R$ 100 mil do empréstimo feito por Elizamar para investir em seu salão de beleza e dos R$ 400 mil que Renata tinha conquistado com a venda de uma casa.

Os agentes também investigam se uma amante de Marcos Antônio e a filha dela também estariam envolvidas no crime. As duas estão desaparecidas.

Apesar dos depoimentos dos suspeitos presos e da versão apresentada por eles, a possibilidade de que Thiago e Marcos Antônio também sejam vítimas do crime não foi totalmente descartada pela polícia.