Chacina do Jacarezinho: falência da segurança pública e desprezo pela vida são pilares, segundo Anistia

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Jurema Werneck
Jurema Werneck
  • Diretora-executiva da Anistia Interacional no Brasil, Jurema Werneck, falou ontem no Roda Viva.

  • Jurema também discutiu sobre a necessidade de falarmos sobre Direitos Humanos para todos.

  • Operação policial, que deixou 28 mortos, é a mais letal da história do RJ.

Em participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Interacional no Brasil, afirmou que caso de Jacarezinho explicita a falência da segurança pública e o desprezo pela vida.

"Me dói o coração porque se trata de uma chacina. São muitas pessoas mortas, atacadas, traumatizadas, com sequelas que vão durar a vida toda. Sejam os familiares das pessoas, os sobreviventes, quem esteve por ali, a comunidade como um todo", afirmou Jurema.

A operação policial no último dia 6 na comunidade de Jacarezinho, no Rio de Janeiro, deixou 28 mortos. A chacina ganhou destaque internacional e motivou protestos por todo o país, além de um requerimento para que a ONU investigue o caso.

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"Eu não sei o que dizer na verdade o que tem por trás dessa aceitação dessa violência, mas tem muitos fatores por aí. O primeiro é a falência da promessa da segurança pública. A violência tem sido uma marca da nação brasileira. Por fim, tem um profundo desprezo pela vida das pessoas, em especial pessoas que moram nas favelas, nas periferias, a vida das pessoas negras, jovens, de gente como eu, esse desprezo marcado pelo racismo", explicou.

Considerada a mais letal da história da cidade, ação ocorreu após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu operações em comunidades durante a pandemia.

Na entrevista, Jurema também discutiu o processo de aceitação dos Direitos Humanos como universais e necessários.

"Essa coisa de ser a favor ou contra... direitos humanos não é uma questão posta a plebiscito. A humanidade sofreu muito para chegar a uma visão de que é preciso patamares de dignidade para todo mundo, todas e todos, não importam quem seja. É um esforço desejável, necessário, mas prazeroso também, de recuperar em todas e todos nossa humanidade", afirmou.

E acrescentou: "Quando um humano diz 'sou contra os direitos humanos' é uma coisa que não faz sentido. É para todo mundo, é para você, para mim, para quem é feio, bonito, alto, baixo, quem gosta ou não. É para todo mundo".