Chacina no DF: Bilhete mostra que suspeitos queriam executar até as crianças; Entenda

Chacina no DF: Registro de momento em que suspeitos deixam o cativeiro com carro de vítimas - Foto: Divulgação / PC-DF
Chacina no DF: Registro de momento em que suspeitos deixam o cativeiro com carro de vítimas - Foto: Divulgação / PC-DF

A Polícia Civil do Distrito Federal deu novos passos importantes para solucionar o quebra-cabeças por trás de uma chacina realizada contra uma família inteira. Até agora, sete mortes estão confirmadas e outras três vítimas seguem desaparecidas. Nesta segunda-feira, o delegado Ricardo Viana, da 6ªDP, que está à frente do caso, revelou detalhes importantes da trama, descobertos nos últimos dias pelos investigadores, e que ajudam a desconstruir uma primeira versão dada por suspeitos em depoimento.

Documentos apreendidos na chácara em Planaltina, onde vítimas foram mantidas reféns e posteriormente assassinadas, mostram que os criminosos tinham em folhas de caderno o nome de cada uma delas e, ao lado, o valor que deveria ser subtraído de cada conta bancária. Três homens estão presos pelo crime (Horácio Carlos Ferreira Barbosa, de 49 anos, Gideon Batista de Menezes, de 55, e Fabrício Silva Canhedo, de 34 anos) e um quarto suspeito segue foragido (Carlomam dos Santos Nogueira, vulgo Carlinhos, de 26 anos).

Outro elemento tido como muito importante pelos investigadores também foi encontrado na chácara: um bilhete usado para atrair Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, de 30 anos, que continua desaparecido, e não apenas sua esposa, a cabeleireira Elizamar da Silva, de 39, como também as crianças: um casal de gêmeos, de 6 anos, e um menino de 7. Todos foram mortos e tiveram os corpos queimados e abandonados no carro da família numa estrada em Cristalina (GO). Mãe e filhos serão enterrados nesta segunda-feira.

"Chefe, como está seu dia? vou precisar de ajuda urgente. Thiago, tem como você vir na chácara, que vou explicar o que (está) acontecendo. Se puder vir hoje, com Elizamar e os meninos", consta no bilhete que teria sido entregue ao pai da família. Àquela altura, acredita-se que Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos, pai de Thiago, já estivesse morto e com o corpo enterrado na chácara, desde a semana entre o Natal e o Ano Novo. A suspeita é de que, por ter chamado a vítima de "chefe", Gideon tenha escrito a carta, já que ele trabalhava como uma espécie de caseiro da família.

Entre os documentos encontrados, estão senhas bancárias, cartões de crédito, e as anotações com os nomes de cada vítima. Entre esses nomes, estão inclusive os de Cláudia Regina Marques de Oliveira, ex-mulher de Marcos Antônio, e a filha dos dois, Ana Beatriz Marques de Oliveira. Elas estão desaparecidas. O trio preso pelo crime chegou a afirmar em depoimento que o crime havia sido arquitetado por elas junto com Thiago e Marcos Antônio, o que já é descartado por completo.

Quarto suspeito é integrante de facção criminosa

O quarto suspeito, Carlomam, vulgo Carlinhos, que ainda está foragido, já é tido pela polícia como um dos executores. Digitais dele foram localizadas em vários locais do cativeiro e no veículo Renault usado na trama e apreendido posteriormente. Até o momento, a polícia não conseguiu localizá-lo. Ele já tem passagem pela polícia. Em 2018, foi indiciado por pertencer a uma facção criminosa local.

Câmeras flagraram movimentação de carros com os corpos

Os investigadores tiveram acesso às imagens do circuito de uma casa que fica ao lado do cativeiro. No dia 14 de janeiro, imagens mostram o momento em que o veículo Renault, usado pelos criminosos, deixa o local com o Fiat Siena, de Marcos Antônio, que seria localizado queimado em Unaí (MG), com os corpos de duas mulheres, que seriam Renata Juliene Belchior, sua esposa, e Gabriela Belchior de Oliveira, sua filha.

No vídeo, os dois veículos aparecem saindo do cativeiro à 1h15. Verifica-se que uma das lanternas do Siena está queimada. Por volta, das 5h03, apenas o Renault retorna; Cerca de 30 minutos depois, às 5h35, um homem, trajando bermuda, camiseta, boné e chinelo sai do mesmo local de onde os veículos estavam.

Número de mortes pode chegar a dez

Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos: seu corpo foi encontrado esquartejado e enterrado no quintal da chácara usada pelos criminosos.

Renata Juliene Belchior, de 52 anos, e Gabriela Belchior de Oliveira, de 25 anos: esposa e filha de Marcos Antônio elas também desapareceram. A polícia acredita que os corpos de duas mulheres, encontrados carbonizados no carro da família, numa estrada em Unaí, em Minas Gerais, possa ser delas.

Cláudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira: ex-companheira de Marcos Antônio e a filha dos dois. Elas estão desaparecidas. Chegaram a ser responsabilizadas pelo crime pelos suspeitos presos, mas hipótese foi descartada. Seus nomes constam nas anotações dos bandidos, assim como o das outras vítimas.

Thiago Gabriel Belchior da Oliveira, de 30 anos: filho de Marcos Antônio, ele segue desaparecido. Thiago teria sido atraído até o local com sua esposa e seus três filhos. Todos teriam sido extorquidos e mortos.

Elizamar da Silva, de 39 anos, os gêmeos Rafael e Rafaela Silva, de 6 anos, e Gabriel Silva, de 7: a mãe e os três filhos foram encontrados mortos dentro do carro da família, em chamas, abandonado numa rodovia em Cristalina (GO).