Chacina em SC: autor de ataque em creche pode pegar pena próxima aos 100 anos de prisão

·3 minuto de leitura
Fabiano segue hospitalizado já que, após atacar professoras e crianças, ele desferiu golpes contra si - Foto AP/Liamara Polli
Fabiano segue hospitalizado já que, após atacar professoras e crianças, ele desferiu golpes contra si - Foto AP/Liamara Polli
  • Autor de ataque a creche em Saudades (SC) pode pegar até 100 anos de prisão

  • O jovem de 18 anos pode responder cinco homicídios e uma tentativa de homicídio

  • Fabiano segue hospitalizado já que, após atacar professoras e crianças, ele desferiu golpes contra si

Dez minutos que podem render 100 anos de pena. Essa é a realidade de Fabiano Kipper Mai, autor da chacina que terminou em cinco mortes em uma creche em Saudades, no Oeste de Santa Catarina, na última terça-feira (04). 

De acordo com Alexandre Neuber, advogado criminalista, o jovem de apenas 18 anos pode pegar uma pena centenária pelo crime. Segundo Neuber, que falou ao veículo catarinense "ND+", Fabiano deve ser submetido a exames de sanidade, podendo ser classificado como inimputável, o que poderia torná-lo isento de pena. 

Leia também

“Também pode ter a semi-imputabilidade, que é uma reduzida capacidade de entender o caráter do crime. Isso também vai ser averiguado. Superado isso, se julgado, pode ter uma pena que varia muito”, avaliou o advogado ao veículo. 

Na visão do advogado, há a possibilidade do juiz considerar que houve "crime continuado", fato que daria a possibilidade de Fabiano ser condenado a uma pena mais grave por um dos homicídios (12 a 30 anos) aumentada até a metade da pena. 

Em casos análogos, ainda conforme a explicação de Neuber, Fabiano pode ter sentença próxima dos 100 anos de prisão, caso seja responsabilizado integralmente por todos os crimes: cinco homicídios e uma tentativa. 

O advogado ressalta, no entanto, que o tempo máximo de prisão em regime fechado é de 40 anos, conforme a lei brasileira. Posteriormente, o preso pode ter progressão de pena e iniciar um período no regime sem-aberto. 

Chacina foi realizada com "armas brancas"

Delegado regional de Chapecó diz que os familiares de Fabiano têm colaborado com a investigação da polícia - Foto: AP Photo/Liamara Polli
Delegado regional de Chapecó diz que os familiares de Fabiano têm colaborado com a investigação da polícia - Foto: AP Photo/Liamara Polli

De acordo com a investigação, Fabiano teria entrado na creche e, abordado por uma professora, não respondeu nada e iniciou a sequência de ataques. Ele atingiu a docente, uma colega e posteriormente as crianças.

Acionada, a polícia chegou ao local e deu voz de prisão ao jovem, que foi levado ao hospital em estado grave. Ele desferiu golpes contra si mesmo com o facão. Na quarta-feira (5), a Justiça converteu a prisão em flagrante para preventiva. Ele segue hospitalizado. 

Ricardo Casagrande, delegado regional de Chapecó, diz que os familiares de Fabiano têm colaborado com a investigação da polícia. 

Consternado com a ação do filho, o casal não deve ser responsabilizado. Segundo o "ND+", uma representante da empresa onde Fabiano trabalha também foi ouvida e disse que ele era um "funcionário normal", sem registros de faltas.

A Polícia Civil de Santa Catarina autuou Fabiano em flagrante por cinco homicídios triplamente qualificados. Ele também foi indiciado pela tentativa de homicídio de uma sexta vítima, uma criança que está internada no Hospital da Criança Augusta Muller Bohner, em Chapecó (SC). A criança está se recuperando e tem quadro estável.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos