Chamado de genocida por deputados no Congresso, Bolsonaro reage: 'Nos vemos em 22'

Julia Lindner, Gustavo Maia, Bruno Góes, Paulo Cappelli e Victor Farias
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Chamado de fascista e genocida por deputados da oposição no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro reagiu com uma provocação ao reforçar que pretende disputar a reeleição no próximo ano. "Nos encontramos em 22", disse no plenário da Câmara dos Deputados. Após ter dois aliados eleitos para o comando do Legislativo, Bolsonaro optou por ir pessoalmente à Casa entregar a mensagem presidencial na sessão que marca o início dos trabalhos do parlamento.

Antes de começar a ler a mensagem, oposicionistas começaram a gritar palavras de ordem contra Bolsonaro e a vaiá-lo. Diante das interrupções, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), interveio e pediu que os parlamentares fizessem silêncio. Ao mesmo tempo, integrantes da base aliada do governo começaram a gritar "mito", o que aumentou a confusão. As manifestações duraram alguns minutos, antes que fossem contidas.

— Peço à segurança que possa garantir a ordem dos trabalhos e a palavra ao senhor presidente da República, que, num gesto de respeito ao Congresso Nacional, comparece a esta Casa para fazer o seu pronunciamento e entrega da mensagem — disse Pacheco. — Vamos dar oportunidade para que possamos iniciar uma nova fase de consenso, de respeito a divergências.

Em seguida, no início da sua fala, Bolsonaro lembrou sua trajetória por sete mandatos como deputado federal:

— Primeiramente, é uma satisfação enorme voltar a esta Casa na qual eu fiquei por 28 anos. Muitos debates entre nós, muitas ideias divergentes, mas sempre o respeito a qualquer autoridade que porventura estivesse presente nesse momento — declarou o presidente, sendo aplaudido por parlamentares aliados.

Após mais uma manifestação contrária no plenário, Bolsonaro deu o recado em referência ao ano das próximas eleições presidenciais.

— Nos encontramos em 22 — afirmou Bolsonaro antes de continuar o discurso.

O texto preparado na mensagem foi acrescido de alguns improvisos, como na parte em que ele disse que, em 2021, prosseguiria "trabalhando em prol do povo brasileiro, de nossos princípios, de nossos valores, de nossa democracia" e acrescentou a "liberdade" dentro os seus objetivos.

Ele também fez outra provocação a integrantes da oposição ao dizer que fez mais do que outras gestões fizeram durante 14 anos — período em que o PT ficou no poder. Ele apontou, ainda, que o seu governo nunca propôs a democratização da mídia e jamais fará isso, em referência a proposição aventada em governos petistas.

A pandemia da Covid-19 foi citada diversas vezes ao longo do discurso, e surgiu logo na segunda frase da mensagem:

— Indiscutivelmente, o ano de 2020 surpreendeu todo o planeta com a pandemia do novo coronavírus. Inesperados e enormes desafios apresentaram-se à realidade brasileira, afetando a vida de milhões de pessoas. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e toda a sociedade foram fortemente impactados pela crise sanitária mundial — declarou.

Ele ainda insistiu na defesa da proteção simultânea da saúde e da economia, que desde o início da pandemia, em março do ano passado, têm embasado sua atuação contrária a medidas de isolamento social e de fechamento do comércio, por exemplo.

— Com incertezas de toda ordem e um cenário totalmente desconhecido, o governo federal adotou duas premissas básicas: salvar vidas e proteger empregos — declarou, lembrando em seguida da implantação do auxílio emergencial e de outros programas federais.

Bolsonaro proveitou para citar a visita, ocorrida horas antes, do presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, e convidar parlamentares para comparecerem ao encontro com os quatro chefes de Estado do Mercosul, previsto para março.