Chamado de mentiroso por Maia, Bolsonaro é desmentido por Paulo Guedes e líder do governo sobre 13º do Bolsa Família

Isabella Macedo
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Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

A sexta-feira. 18, foi marcada por mais um episódio de atrito entre Jair Bolsonaro (sem partido) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), que chamou o presidente da República de mentiroso e afirmou que será seu “leal adversário”.

Tudo começou na noite de quinta-feira, 17, numa transmissão de Boslonaro nas redes sociais em que ele jogou em Maia a culpa por não haver um 13º pagamento para beneficiários do Bolsa Família no fim do ano. No dia seguinte, o deputado rebateu em plenário a afirmação do presidente.

Aliados desmentiram Bolsobaro e confirmaram que o pagamento extra só não foi para frente por decisão do próprio governo.

A medida provisória (MP) a que Bolsonaro se referiu na live foi assinada por ele prevendo o pagamento extra apenas em 2019. No Congresso, uma comissão alterou a MP para tornar o benefício permanente. O governo foi contra e pediu que a MP perdesse a validade.

E mais:

No Plenário, Maia citou uma entrevista do ministro da Economia, Paulo Guedes, dada na própria sexta-feira, 18, para afirmar que o governo desmente Bolsonaro e que a narrativa de que ele é o responsável por deixar medidas do governo perderem a validade são utilizadas por apoiadores do presidente nas redes, aos quais se referiu como “bolsominions”:

— Peguem as redes sociais dos bolsominions, que você vai ver que está lá: “Rodrigo Maia derruba e caduca medida provisória do 13º do Bolsa Família e do BPC”. Então, é uma articulação conjunta para desqualificar e desmoralizar a imagem dos adversários do presidente da República. Mas hoje (ontem), o próprio ministro Paulo Guedes confirmou que o presidente é mentiroso, quando disse que de fato não há recursos para o 13º do Bolsa Família.

Na manhã desta sexta-feira, 18, Guedes disse em entrevista que não é possível conceder o 13º ao Bolsa Família porque precisa haver uma compensação e não há espaço para isso.

Também nesta sexta-feira, 18, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), foi ao Twitter e reconheceu que a decisão de não conceder o benefício foi do governo: “Não haviam recursos disponíveis para isso, segundo o ministério da Economia. Por isso a MP não foi votada”.

Ainda no discurso, Maia destacou o trabalho do Congresso ao longo do ano. Ele voltou a defender a aprovação das reformas tributária e administrativa e a urgência de analisar a PEC Emergencial. E afirmou que será um “leal adversário” de Bolsonaro na agenda de costumes:

— Continuarei do lado da democracia, contra a agenda de costumes que divide o Brasil, que gera ódio. E como essa é a agenda do presidente, eu continuarei sendo um leal adversário do presidente da República no que é ruim para o Brasil.