Champions: classificados para as quartas reforçam influência do dinheiro nos resultados

Bruno Marinho
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Os resultados de quarta-feira confirmaram os oito times classificados para as quartas de final da Champions. O chaveamento terá Liverpool, Manchester City, Chelsea, Real Madrid, Paris Saint-Germain, Porto, Borussia Dortmund e Bayern de Munique. Não chega a ser uma novidade, mas as equipes que avançaram reforçam o poder crescente do dinheiro sobre os resultados em campo.

De todas as equipes que seguem sonhando com o título europeu, o Porto foi a única que superou um adversário cujo elenco era mais valioso (de acordo com o site Transfermarkt): a Juventus. De resto, prevaleceu quem tem mais astros à disposição, inclusive nos duelos, ao menos no papel, mais equilibrados, entre PSG e Barcelona e entre Chelsea e Atlético.

Equipe (ranking)Borussia Mönchengladbach (26º) Lazio (24º)Atlético de Madrid (7º)Red Bull Leipzig (14º)Porto (36º)Barcelona (5º)Sevilla (27º)Atalanta (23º)

Os confrontos que definirão os semifinalistas sairão do sorteio que a Uefa realizará amanhã. A Liga dos Campeões está marcada para acabar em 29 de maio, com a final em Istambul.

Bayern favorito

Dentro de casa, o Bayern de Munique confirmou a classificação muito bem encaminhada no jogo de ida — vencido por 4 a 1 em Roma — ao bater a Lazio por 2 a 1. Os gols foram de Lewandowski e Choupo-Moting. Parolo descontou para os italianos, que não ficaram nem perto de serem zebra.

Os atuais campeões chegam ao grupo de oito melhores da Europa e são os favoritos ao título. Ainda que não apresentem exatamente o mesmo nível da edição passada, quando foram muito soberanos nas partidas realizadas na reta final em Lisboa, os bávaros seguem fortes e Lewandowski repete o mesmo aproveitamento da temporada passada, quando foi eleito o melhor jogador do mundo. Até agora, são 39 gols em 35 partidas.

Simeone na berlinda

Não é de hoje que o estilo de jogo do Atlético de Madrid desagrada àqueles que gostam de um futebol mais ofensivo. Mas se não a inventou, o técnico Diego Simeone talvez tenha levado para outro nível a máxima de que um time “precisa saber sofrer”. Por anos, sua equipe soube e os resultados respaldavam a filosofia, longe de ser vistosa.

O problema é que além de feio, o jogo colchonero se transformou em algo improdutivo. Quarta-feira, foi mais um exemplo disso: o Atlético entrou em campo precisando vencer o Chelsea por dois gols de diferença para se classificar para as quartas de final da Champions. Em vez disso, foi mais uma vez dominado pelos ingleses e perdeu por 2 a 0, na capital londrina, gols de Ziyech e Emerson. No placar agregado, levou de 3 a 0.

Cair ainda nas oitavas da competição europeia é um resultado ruim, mas que seria compreensível diante do adversário. O Chelsea foi o clube que mais investiu na última janela de transferências, com três contratações entre as dez mais caras. Depois da chegada de Thomas Tuchel, emplacou uma sequência de resultados positivos: são nove vitórias e quatro empates sob o comando do treinador.

O que incomoda no Atlético é o fato de não se defender com a mesma entrega de antes e muito menos ser perigoso como já foi nos contra-ataques. Mesmo com um ataque formado pelo talento prodígio de João Félix e o artilheiro Luis Suárez, a qualidade do jogo não chega a convencer.

As críticas a Diego Simeone vieram depois da eliminação, especialmente nas redes sociais. Mas serão facilmente silenciadas se o time conseguir manter a liderança do Campeonato Espanhol até a última rodada — faltam 11 pela frente. O maior obstáculo para isso é o Barcelona, que embalou na competição e que, assim com o Atlético de Madrid, tem em La Liga o principal objetivo na temporada. A distância atualmente entre as equipes é de quatro pontos, depois de chegar a ser de nove há cinco rodadas.