Champions: contra o Bayern, 'protagonista' Mbappé tenta repetir parceria de sucesso com Neymar; compare números

O Globo
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Sem o atual melhor do mundo Robert Lewandowski em campo pelo Bayern, não há lado para olhar na partida desta terça-feira entre PSG e Bayern de Munique, no Parque dos Príncipes, se não o de Neymar e Mbappé, dois dos melhores jogadores em atividade no futebol mundial. O jogo de volta das quartas de final da Champions League é o capítulo final de três duelos contra os alemães de suma significância para o clube parisiense e para a dupla de jogadores: são jogos que ajudam a definir os papéis dos franceses entre os gigantes da europa e dos camisas 10 e 7 como protagonistas do clube.

Na temporada passada, ainda sob o comando do alemão Thomas Tuchel, o PSG chegou à decisão da Champions muito graças aos esforços da dupla. A explosão e a capacidade de finalização quase instantânea de Mbappé garantiu gols importantes na fase de grupos, com os três sobre o Brugge na fase de grupos. A partir do mata-mata, a parceria com Neymar, que perdera quatro jogos da 1ª fase — por suspensão e subsequente lesão na coxa —, começou a engrenar.

Não eram incomuns as jogadas em que o brasileiro se livrava de um ou dois marcadores por meio da individualidade e achava espaço para o francês penetrar em velocidade nas costas da defesa adversária. O salvador gol da virada de Choupo-Mouting, contra a Atalanta, nas quartas de final, foi o exemplo mais concreto dessa dinâmica.

Foi a partir dessa última temporada em que Neymar consolidou uma característica nova de seu repertório: em algumas oportunidades, o camisa 10 passou a atuar quase na linha dos meio-campistas e aliou à já conhecida capacidade de quebrar linhas de marcação uma alta qualidade de passes e enfiadas de bola. Além de finalizador, o Neymar de 2019/20 poliu seu jogo para o de um criador de jogadas, um playmaker.

Idade, papel em campo e lesões

À medida em que Neymar transformou seu jogo, Mbappé explodiu, nos dois sentidos que a expressão pode oferecer. Jovem, no auge da capacidade física e dotado do sangue frio de grandes finalizadores franceses, o atacante faz uma das melhores Champions da carreira nesta temporada: são oito gols em oito jogos, sendo quatro sobre o Barcelona, nas oitavas, e dois sobre o Bayern, no jogo de ida das quartas. No total, são 33 gols em 39 partidas para o atacante de 22 anos.

— Ele ganhará a Bola de Ouro um dia, estou completamente convencido disso. Ele tem tudo. É rápido, tem boa técnica e o mais importante, marca muitos gols — analisou o técnico do Bayern, Hans-Dieter Flick, em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

Não bastasse a transformação de papéis e a diferença crucial de idade — vale lembrar que Neymar chegará aos 30 anos em 2022 —, os problemas de lesão têm tirado o camisa 10 de partidas importantes do PSG, tanto na Champions quanto no Campeonato Francês. Aconteceu nas quartas, contra o Barcelona, e em outras 15 partidas da equipe ao longo da temporada. O vácuo, somado à brilhante temporada de Mbappé, levam a previsíveis questionamentos sobre quem é, de fato, o protagonista no Parque dos Príncipes.

Neymar deixou o Barcelona buscando livrar-se da sombra de Messi, e hoje já não vive mais tal realidade. Na França, ganhou moral, a camisa 10 e o status de estrela da equipe, e não fez (ou faz) feio. Ainda que longe de seus melhores desempenhos estatísticos no Parque dos Príncipes, o brasileiro tem 13 gols e oito assistênciais em 21 jogos na atual temporada, uma média uma participação em gol por partida.

Parceria

É difícil, porém, comparar esses números aos de Mbappé, que chegará ao seu 40º jogo na temporada contra os alemães, quase o dobro de partidas disputadas por Neymar. Inegavelmente, hoje cabe ao camisa 10 da seleção da França o papel de destaque individual da equipe de Mauricio Pochettino. Mas isso não diminui nem tira Neymar da equação.

Afinal, quem assistiu à vitória sobre o Bayern nos jogos de ida viu um jogador que pode ser facilmente etiquetado como referência técnica. O lançamento genial para Marquinhos — dolorosa ausência para o jogo desta terça, por lesão — e a grande jogada que terminou na assistência para o camisa 7 são algumas demonstrações de quem um jogador de seu calibre, ainda que longe de suas melhores temporadas, sempre será necessário.

— Mbappé e Neymar sempre ficam à frente no PSG. Eles não defendem, mas permancem numa posição perigosa para contra-atacar. Você nunca conseguirá tirá-los da partida completamente — elogiou Flick.

O PSG precisa de Neymar e Mbappé em seu melhor para seguir galgando espaço entre os gigantes da Europa, e Pochettino já teve uma ótima demonstração de como extrair o melhor da dupla, cujo entrosamento parece passar por uma crescente. No fim da temporada, os prêmios individuais devem pender, por enquanto, para o francês. Mas para que ele se credencie a eles, precisará seguir afinado com o outro craque com o qual divide vestiário. Afinal, quanto mais jogadores capazes de definir uma grande partida, melhor.

Desfalques

A partida desta terça-feira será marcada por desfalques importantes em ambas as equipes. Além de Lewandowski, que voltou a treinar recentemente após lesão nos ligamentos do joelho direito, o Bayern segue sem Gnabry, ainda isolado por ter contraído a Covid-19.

No PSG, a principal ausência será a do zagueiro e capitão Marquinhos, que deixou o jogo de ida ainda no primeiro tempo, após sofrer uma lesão no músculo adutor da coxa direita. O meia Verratti e o lateral Florenzi, recuperados da Covid-19, podem ser novidades na equipe de Pochettino.