Champions: Entenda como Ancelotti e Guardiola mantêm legado de inspirações na semifinal entre Real e City

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Títulos da Champions foram pontos de inflexão nas carreiras de Carlo Ancelotti e Pep Guardiola quando ainda jogadores. Ergueram a taça pela primeira vez orientados por técnicos que tiveram peso enorme na maneira como construíram seus estilos como treinadores. São os maiores representantes de escolas vitoriosas e tentam nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília, com transmissão da TNT), uma nova presença na final europeia.

O Manchester City de Guardiola terá a vantagem do empate contra o Real Madrid de Ancelotti, que joga em casa, no Santiago Bernabéu. No jogo de ida, na Inglaterra, o City venceu por 4 a 3 em um jogo espetacular.

A maior concentração de talentos está nas mãos do técnico italiano. Ancelotti, campeão espanhol com antecedência, tem o mérito de extrair o máximo de Vini Jr, promessa que conseguiu se firmar sob seu comando. Ofereceu condições para Benzema ter a melhor temporada da carreira e Modric brilhar intensamente, mesmo aos 36 anos.

Muito de seu estilo deriva do que aprendeu com Arrigo Sacchi, considerado um dos maiores técnicos da história. O italiano construiu carreira fugindo de rompantes de vaidade, consequência de seu passado sem ter sido jogador de futebol. Ao invés de tentar impor suas ideias a respeito do jogo, Sacchi escolheu o diálogo com os jogadores e a adaptação ao que tinha de melhor.

Foi assim que chegou ao Milan no fim dos anos 1980 e ganhou duas Copas dos Campeões da Europa, competição que antecedeu a Champions. Naquele time, entre a defesa com Baresi, Costacurta e Maldini, e o ataque com Rijkaard, Gullit e Van Basten, estava o cabeça de área Ancelotti.

— Ancelotti é um homem treinado por técnicos muito diferentes, como foram (Nils) Liedholm, Sacchi, (Fabio) Capello e (Azeglio) Vicini. Com isso, aprendeu que o mais importante é a harmonia do grupo e o sistema que melhor saiba potencializar os jogadores que tem à disposição — afirma Miguel Lourenço Pereira, jornalista e escritor português, radicado na Espanha.

Pereira é autor de biografia sobre Johan Cruiff, assim como Sacchi, outro envolvido indireto na semifinal desta tarde em Madri. Afinal, o holandês foi uma das principais inspirações de Pep Guardiola. Indo mais fundo, é possível ver o espanhol como fruto da Laranja Mecânica holandesa de Rinus Michels, vice-campeã do mundo em 1974.

Escola holandesa

O que há de principal em comum entre os três é a prevalência da parte tática sobre o talento individual. Provavelmente por isso foram protagonistas no banco de reservas, muitas vezes mais laureados do que os jogadores. Cruiff foi a mente de Michels em campo naquela seleção holandesa que assombrou o mundo.

Duas décadas depois, foi a vez de Guardiola ser impregnado pela genialidade de Cruiff. O treinador holandês estava à frente do Barcelona campeão europeu de 1992, um time que começou a ser formado três anos antes, quando o técnico dispensou dois astros da equipe, Carrasco e Lineker, por não se encaixarem na maneira como via o jogo.

Não por coincidência, Guardiola, antes de se tornar o técnico que é, assumiu o Barcelona e se desfez de medalhões do calibre de Ronaldinho, Deco e Eto’o. Pediu Ibrahimovic, astro de primeira grandeza, que não passou mais de uma temporada no Camp Nou por não se encaixar nos mecanismos que buscava para a equipe catalã.

— Pep é um dos treinadores de ideias, claramente no sentido holandês do termo. É um treinador que bebeu muito da escola holandesa não apenas pelo papel fundamental que Cruiff desempenhou na sua vida e carreira, mas também por como se involucrou no debate do jogo de forma recorrente com Van Gaal — acredita Pereira, referindo-se ao técnico holandês Louis Van Gaal, que também treinou Guardiola no Barcelona.

Carlo Ancelotti conta que já esteve mais próximo do adversário desta tarde, em termos filosóficos. Costuma dizer que, no início da carreira como treinador, resistia à ideia de privilegiar jogadores. Quando treinou a Juventus e teve Zinedine Zidane nas mãos, no fim dos anos 1990, se viu obrigado a adaptar os mecanismos da equipe ao craque. Foi uma retomada do que aprendeu com Sacchi. Hoje, Zidane é visto como um treinador da mesma linha de Ancelotti. E assim os legados seguem, de geração em geração.

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