Champions: quartas de final são oportunidade para jogadores causarem boa impressão em Tite

Bruno Marinho
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Chegar à seleção depende do que acontece nos clubes, mas se manter no grupo e subir na hierarquia interna é algo intimamente ligado aos laços que são estabelecidos no curto convívio presencial de cada convocação. É quando a comissão técnica consegue captar impressões dos jogadores que a frieza das estatísticas e a análise tática dos jogos não são capazes de mensurar.

Privados dessa dinâmica por causa da pandemia da Covid-19, Tite e os jogadores com potencial de convocação veem o aumento da relevância de jogos como os disputados na terça e os marcados para esta quarta-feira, pelas quartas de final da Liga dos Campeões, para que novas relações se estabeleçam.

Vinicius Junior, por exemplo: autor de dois gols na vitória de 3 a 1 do Real Madrid sobre o Liverpool, estava, até a última convocação, no fim da fila para conseguir espaço no ataque da seleção. Chamado para os jogos das Eliminatórias disputados em novembro de 2020, não saiu do banco, atrás na disputa com Everton, que ganhou a confiança de Tite na Copa América de 2019.

Caso se confirme a classificação do Real para a semifinal da Champions com o brasileiro como protagonista, ele certamente ganhará pontos para a próxima convocação, prevista para junho, se a pandemia deixar.

Um bom exemplo de como, em condições normais, funciona a dinâmica de uma seleção é Philippe Coutinho. Entre 2018, após a Copa do Mundo, e 2020, o jogador se manteve como titular da equipe nacional menos pelo que apresentava nos clubes e mais pelo que mostrou a Tite enquanto estiveram juntos.

Quem em breve pode gozar desse respaldo acumulado é Roberto Firmino. Ele é um dos jogadores mais utilizados por Tite e deve se manter assim a curto prazo. Contra o Real, começou como reserva e entrou a dez minutos do fim do jogo, recado claro que o técnico Jurgen Klopp passa de que o atacante não atravessa boa fase.

Existem outros jogadores, além de Vinicius Junior, que podem se beneficiar dessas quartas de final. Éder Militão perdeu espaço na seleção muito porque é reserva em Madri. Contra o Liverpool, foi titular graças às lesões de Sergio Ramos e Varane. Boas atuações nesses jogos podem ser entendidas como sinal de que a falta de chances não afeta seu desempenho. Otávio, meia do Porto, quem sabe possa sonhar com uma chance caso o time português surpreenda o Chelsea.

Há também quem, com ou sem um convívio mais próximo com Tite, seguirá imprescindível. Casemiro e Neymar são dois exemplos. O atacante entra em campo nesta quarta-feira para enfrentar o Bayern de Munique e a falta de jogos da seleção significa também menos um refúgio para se proteger das críticas ocasionalmente mais duras que recebe na França, como as que estão sendo feitas após expulsão contra o Lille.

Por causa da pandemia, os jogadores perdem a chance de mostrar serviço diretamente para a comissão técnica da seleção. Ela por sua vez, também tem a capacidade de análise reduzida.

Tite e seus auxiliares são adeptos das observações de potenciais convocados presencialmente, nos estádios, em jogos-chave como esses das quartas de final da Liga dos Campeões. Em condições normais, eles se dividiriam em duplas ou trios para acompanhar os jogos. Posteriormente, os responsáveis pelas observações presenciais seriam os responsáveis por liderar as discussões dentro da comissão técnica e levantar pontos fortes e fracos do jogador em análise.

Com a pandemia, todos acompanharam as partidas pela televisão.