Chance de haver vida no sistema TRAPPIST-1 é menor do que se pensava

Redação Central, 13 jul (EFE).- O sistema estelar TRAPPIST-1, que possui três de seus sete planetas na chamada zona habitável, apresenta características que "tornam muito menos provável do que geralmente se acreditava" que algum deles pudesse sustentar vida, é o que dizem dois relatórios publicados nesta quinta-feira.

A descoberta do sistema TRAPPIST-1 causou grande expectativa quando foi anunciado em fevereiro, pois se trata de um sistema de sete planetas com massas similares ao nosso e, possivelmente, com superfícies rochosas, sendo que três deles se encontram na zona habitável, o que significa que pode haver água em estado líquido nos mesmos.

No entanto, o comportamento desse sistema "faz com seja pouco provável que os planetas que o formam possam sustentar organismos vivos", de acordo com um comunicado emitido pelo Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos.

A estrela do sistema TRAPPIST-1, uma anã vermelha, é muito mais fraca e tem menos massa que nosso Sol, sua rotação é rápida e gera emissões muito altas de radiação ultravioleta.

O responsável de um das equipes de pesquisa, Manasvi Lingam, indicou que "o conceito de zona habitável está baseado no fato de a órbita de um planeta se encontrar a uma distância da estrela na qual pode ocorrer a existência de água em estado líquido", no entanto, este "é apenas um dos fatores para determinar se um planeta pode hospedar qualquer tipo de vida".

Os pesquisadores analisaram muitos fatores para saber como as condições da estrela poderiam afetar a superfície dos planetas, entre eles a temperatura e as emissões de radiação ultravioleta.

Os resultados assinalaram que os planetas do sistema TRAPPIST-1 estariam sendo bombardeados por uma quantidade de radiação ultravioleta com uma intensidade muito maior que a experimentada na Terra.

"Devido à investida da radiação, os nossos resultados indicam que a atmosfera dos planetas seria em grande parte destruída", o que afeta de maneira negativa "as possibilidades de existência de vida neles", explicou o professor Avi Loeb, da mesma equipe de pesquisa.

Ambos os especialistas estimam que a possibilidade de que possa haver vida complexa é inferior a 1% da existente na Terra.

A estrela que forma o sistema apresenta outra ameaça para a vida e está relacionada com os campos magnéticos, segundo outro estudo da Universidade de Massachusetts, também nos Estados Unidos.

Isto porque a estrela expulsa ao espaço exterior jatos de partículas, mas o faz com uma pressão de mil a 100 mil vezes maiores que as exercidas pelos ventos solares sobre a Terra.

Os astrônomos consideram que o campo magnético da estrela se conectaria com os de qualquer planeta que a orbite, permitindo que as partículas dos ventos solares chegassem diretamente às atmosferas planetárias, o que poderia provocar sua evaporação.

O campo magnético da Terra atua como um escudo contra os possíveis danos provocados pelos ventos solares, lembrou a diretora do segundo estudo, Cecilia Garraffo.

Mas se a Terra estivesse "muito mais próxima do Sol - como é o caso em TRAPPIST-1 - e submetida às investidas das partículas que ele expulsa, o escudo do nosso planeta se romperia bastante rápido".

Apesar de os dois estudos sugerirem que a possibilidade de vida é "menor do que se pensava anteriormente, isto não significa que o sistema TRAPPIST-1, e outros com uma estrela anã vermelha, estejam isentos de vida", segundo a nota

"Indubitavelmente, não estamos dizendo às pessoas que deveriam deixar de buscar vida ao redor das estrelas anãs vermelhas", indicou Jeremy Drake, coautor do estudo da Universidade de Massachussetts.

"No entanto, nosso trabalho e o de nossos colegas indica que deveríamos também nos concentrar em todas as estrelas possíveis que sejam mais parecidas com o Sol", concluiu Drake. EFE