Chanceler alemã passa por teste eleitoral antes das legislativas

Por Daphne ROUSSEAU
A chanceler alemã, Angela Merkel

A chanceler alemã, Angela Merkel, ameaçada nas pesquisas pelos sociais-democratas, passará neste domingo, em Sarre (sudoeste), por um teste eleitoral regional crucial antes das eleições legislativas de setembro na Alemanha.

A hipótese de uma derrota eleitoral da chanceler parece impensável há alguns meses, apesar das críticas a sua política migratória. Mas a entrada na corrida do novo dirigente do social-democrata SPD, Martin Schulz - que em tempo recorde remobilizou a esquerda -, mudou a situação.

Os resultados da eleição para o Parlamento regional de Sarre darão uma primeira ideia de sua capacidade real de abalar Angela Merkel nas legislativas de 24 de setembro, após 12 anos de poder.

Sarre também dá o tiro de largada do ano eleitoral, antes de outras duas eleições regionais em maio, na Renânia do Norte-Westfália (oeste), o Estado mais populoso, e em Schleswig-Holstein (norte).

Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, rompeu com a linha centrista de seu partido e faz claramente uma campanha esquerdista sobre temas sociais. Isso permitiu ao SPD um aumento nas intenções de voto jamais vista em um período de tempo tão curto.

Depois de estar a 15 pontos dos cristãos-democratas (CDU) da chanceler em janeiro, hoje está empatado em nível nacional com cerca de 30% das intenções de votos. Seu estilo direto e sua vontade de aparecer "próximo ao povo" seduzem a opinião pública.

Neste aspecto, o Estado-região de Sarre, embora abrigue apenas 1% da população alemã, atua como um laboratório: a CDU controla esta antiga região mineradora e operária. Sua dirigente local, Annegret Kramp-Karrenbauer, chamada de "A Merkel de Sarre", também está ameaçada pelos sociais-democratas.

Mesmo permanecendo como segundo partido, o SPD pode voltar ao poder caso se alie à esquerda radical do Die Linke, tradicionalmente forte nesta região, já que é dirigida por uma figura da política alemã, o ex-presidente social-democrata Oskar Lafontaine, que rompeu com sua formação de origem.

Segundo as últimas pesquisas em Sarre, o CDU está na liderança (com 34% a 37% dos votos), à frente do SPD (em torno de 32%) e com a esquerda radical na terceira posição. O SPD não descarta desta vez, diferentemente de 2012, uma aliança com o Die Linke e os ecologistas.

- Teste geral? -

Semelhante formato de coalizão em Sarre enviaria um forte sinal de "reconciliação das esquerdas" alemãs, abalada desde 1999 na era de Gerhard Schroder, chanceler de 1998 a 2005.

Este cenário agora é considerado plausível por alguns em nível federal nas eleições de setembro, devido à posição mais esquerdista do SPD, embora a oposição do Die Linke à Otan torne muito hipotética semelhante coalizão em Berlim.

De qualquer forma, os pesquisas preveem ao SPD um resultado melhor que há cinco anos graças ao "efeito Schulz".

O resultado do partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) também será seguido de perto. Poderia entrar no décimo parlamento regional do país (de 16), confirmando sua crescente presença antes das legislativas em nível nacional.