Chanceler do Irã promete na Venezuela estreitar laços contra sanções dos EUA

·2 minuto de leitura
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif (D), cumprimenta seu equivalente venezuelano Jorge Arreaza (E) na sede do Ministério das Relações Exteriores em Teerã, em janeiro de 2020
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif (D), cumprimenta seu equivalente venezuelano Jorge Arreaza (E) na sede do Ministério das Relações Exteriores em Teerã, em janeiro de 2020

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Kavad Zarif, disse nesta quinta-feira (5) que seu país estará "ao lado" da Venezuela frente às sanções dos EUA contra os dois países, durante visita a Caracas onde se encontrará com o presidente Nicolás Maduro.

"Nunca cederemos a essas sanções e a essas pressões, mas vamos colaborar e cooperar com os países que respeitam e cumprem a Carta da ONU" para "cancelar essas sanções", disse Zarif em comunicado à imprensa, segundo uma tradução oficial para o espanhol.

"Temos que estar lado a lado e juntos", afirmou o funcionário iraniano na Casa Amarela, sede da chancelaria venezuelana, no centro de Caracas.

À tarde, a televisão estatal transmitiu imagens da chegada de Zarif ao seu encontro com o presidente Maduro.

"Tive o prazer de receber a visita do chanceler da República Islâmica do Irã, Mohamad Javad Zarif. Uma visita que ratifica o espírito inquebrantável das relações estratégicas de cooperação e solidariedade entre o Irã e a Venezuela", escreveu Maduro em uma mensagem em sua conta no Twitter, sem dar maiores detalhes.

Washington impôs sanções às exportações de petróleo do Irã e da Venezuela, cujos laços foram fortalecidos com a chegada ao poder do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013) e reforçados por Maduro, que tem em Teerã um de seus principais aliados, ao lado da China e da Rússia.

O chanceler iraniano chegou a Caracas na quarta-feira para uma visita questionada por Washington.

"Ocupados comparando as melhores práticas para reprimir seus cidadãos? Como saquear e esbanjar os recursos de seus povos? Ou se tratava mais de como difundir o terrorismo por todo o mundo?", publicou no Twitter o vice-secretário interino do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, Michael Kozak.

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, disse na quinta-feira que as relações entre Teerã e Caracas estão em seu "clímax".

As cooperações no campo da defesa "vão continuar", disse Zarif após se reunir com Arreaza e a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, sem fazer alusão direta às acusações recentes do presidente da Colômbia, Iván Duque, sobre a possível venda de armas do Irã à Venezuela.

Nos últimos meses, o Irã enviou à Venezuela navios carregados de gasolina e derivados para aliviar uma grave escassez de combustível em meio ao colapso da produção da estatal venezuelana PDVSA, de 3,2 milhões de barris diários de petróleo há 12 anos para menos de 400.000 barris diários na atualidade, segundo a Opep.

Após concluir sua visita à Venezuela, Zarif viajará para Cuba e Bolívia, segundo a TV estatal.

atm/erc/gma/cc/mvv