Premiê britânica nomeia novo ministro do Interior

Londres, 30 abr (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, nomeou nesta segunda-feira Sajid Javid como novo ministro de Interior, após a renúncia de Amber Rudd, devido à polêmica sobre anuidades para deportar imigrantes ilegais, anunciou o Governo do país.

Rudd, defensora de uma relação muito estreita com a União Europeia (UE), renunciou ontem à noite depois de vários dias de controvérsia, após a imprensa publicar que ela tinha conhecimento da existência dessas cotas, apesar de ter negado na semana passada para uma comissão do Parlamento britânico.

A imprensa tinha revelado que Rudd tinha traçado como meta aumentar a quantidade de expulsões forçadas em mais de 10% durante os próximos anos.

Javid, filho de um motorista de ônibus de origem paquistanesa, era até agora ministro para o Governo local, cargo que será ocupado agora pelo deputado conservador James Brokenshire, que até janeiro foi ministro para a Irlanda do Norte.

O novo responsável de Interior, de 48 anos e que entrou pela primeira vez no Parlamento em 2010, apoiou a permanência do Reino Unido na UE no referendo de 23 de junho de 2016, no qual os britânicos votaram a favor da saída do bloco europeu.

Javid foi o responsável, no ano passado, pela resposta do Governo à tragédia do incêndio da torre residencial Grenfell, no oeste de Londres e no qual morreram 71 pessoas.

A controvérsia em torno de Rudd surgiu sobretudo quando garantiu na quarta-feira perante a Comissão de Interior da Câmara dos Comuns que seu ministério não tinha cotas marcadas para a deportação de imigrantes em situação irregular.

A porta-voz de Interior do Partido Trabalhista, Diane Abbott, tinha pedido a demissão de Rudd por "uma questão de honra" por não ter sido claro perante a comissão parlamentar.

Além da polêmica pelas cotas, a ministra foi centro das críticas pelo escândalo da denominada "geração Windrush", formada por milhares de pessoas que chegaram ao Reino Unido entre 1948 e 1973 procedentes de países caribenhos, mas que estavam em situação irregular no país apesar de terem residido no Reino Unido durante décadas.

Leis mais duras apoiadas por May quando era ministra de Interior fez com que essas pessoas devessem provar com documentos originais todos os anos que viveram no Reino Unido, um trâmite burocrático que alguns deles não puderam cumprir. EFE