Chanceleres do Mercosul vão se reunir para discutir crise na Venezuela

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os chanceleres dos quatro países fundadores do Mercosul -Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai- se reunirão neste sábado (1º) em Buenos Aires, segundo a reportagem apurou junto a fontes diplomáticas de países do bloco.

A ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, afirmou que a "grave situação institucional na Venezuela" foi o motivo para a convocação da reunião.

Logo após o encontro, na tarde deste sábado, é esperado que Malcorra faça um pronunciamento à imprensa.

A crise política se agravou na Venezuela nesta quinta-feira (30) com a decisão do TSJ (Tribunal Supremo de Justiça) de assumir as funções da Assembleia Nacional.

Desde o início de 2016, a Justiça venezuelana considera que o Legislativo, sob controle da oposição, age em desacato à Constituição por ter juramentado três deputados do Estado de Amazonas acusados de fraude eleitoral. Embora a Câmara tenha exonerado os parlamentares posteriormente, o TSJ diz que o ato não foi formalizado.

A Venezuela foi suspensa do Mercosul em dezembro, após não cumprir obrigações assumidas quando se incorporou ao bloco, em 2012.

Entre os acordos que Caracas não aderiu estão o Protocolo de Assunção de promoção e proteção dos direitos humanos e o acordo sobre residência -que permite a um cidadão de qualquer país do bloco viver em outro.

O descumprimento da normativa já havia servido de argumento para que os países do Mercosul impedissem a Venezuela de assumir a Presidência rotativa em agosto. Foi estabelecida então uma Presidência colegiada entre os quatro fundadores. Caracas via a ação como pretexto político contra Maduro.

Nesta sexta (31), a Colômbia convocou seu embaixador em Caracas, Ricardo Lozano, para esclarecer a situação política no país vizinho. Na véspera, o Peru já havia retirado seu embaixador da Venezuela "de maneira definitiva" em protesto à decisão do TSJ de assumir as funções do Legislativo.