Chapada dos Veadeiros chega ao 11º dia de incêndios, que atingem Parque Nacional

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RIO — Os incêndios na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, chegam ao décimo primeiro dia nesta quarta-feira, e desde a noite de segunda-feira atingem o Parque Nacional da região. Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros Militar do estado (CBMGO), Luiz Antônio Dias Araújo, existem hoje três frentes de focos ativos, nos quais ocorre o combate ao fogo.

Duas delas são localizadas no parque: na região da Cascata, no município de Terezinha de Goiás, e na região da Ponte de Pedra, em Cavalcante. Além disso, há um foco na região da Fazenda Valença, no extremo sul da Área de Proteção Ambiental (APA) Pouso Alto, que abrange o entorno do parque.

Até segunda-feira, o fogo já havia consumido 18.620 hectares de vegetação, o equivalente a cerca de 18 mil campos de futebol. A área queimada aumentou nos últimos dois dias, mas não é possível atualizar os dados porque há muita fumaça e o satélite não consegue captar o solo adequadamente, explica Araújo.

— Pelo relevo e pelo clima, o incêndio se propaga muito rápido, então com certeza aumentou bastante essa área queimada — afirma, e destaca: — Ter chegado ao parque agrava a problemática ambiental, porque existem regiões de conservação extrema, nas quais não é permitido nem visitação. Além disso, essa região da Chapada gira em torno do turismo. Se o parque está queimando, intimida os turistas. Mas o fogo ainda está muito longe dos atrativos turísticos, a cerca de 60 km de distância.

Como noticiado pelo GLOBO, um grupo de empresários locais tem tentado convencer páginas dedicadas à preservação do Cerrado brasileiro de que é melhor não divulgar informações sobre as queimadas que têm acontecido, sob o argumento de que isso "tem espantado os turistas".

Araújo afirma que também houve preocupação de que o incêndio atingisse o Parque Estadual Águas do Paraíso, criado há um ano e que reúne várias quedas d'água e uma imensa biodiversidade, mas com o combate ao fogo conseguiram impedir que seguisse nessa direção.

Ele destaca que o nível dos incêndios na região este ano são preocupantes:

— Esse ano está batendo todos os recordes, de focos captados por satélite e de ocorrências atendidas por nós. A situação meteorológica como um todo, temperatura, vento, umidade do ar, está tornando a situação bem mais crítica e dificultando muito o combate. As outras coisas, a negligência e incendiários temos todo ano, mas a situação climática desse ano agrava o problema.

A ação de combate ao fogo começou no dia 12 de setembro, em um foco no Vale da Lua, quando mais de cem turistas precisaram ser retirados às pressas do local. Depois disso, surgiram vários focos em outros pontos da região. A Polícia Civil de Goiás investiga se os incêndios tiveram origem criminosa.

Segundo Araújo, há suspeita de ação dolosa por serem focos isolados. Ele explica que o fogo também pode ocorrer por negligência, como, por exemplo, no caso de um incêndio na região que iniciou por fagulhas de uma serra usada para cortar ferro.

Bombeiros testam positivo para Covid-19

Entre bombeiros militares de Goiás e do Distrito Federal, brigadistas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, do Ibama e voluntários, além de voluntários que auxiliam na logística, em torno de 200 pessoas estão envolvidas no combate ao fogo, afirma Araújo. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também disponibilizou três aeronaves que fazem o combate aéreo.

Na terça-feira, dois bombeiros militares que trabalham no combate ao incêndio na Chapada dos Veadeiros testaram positivo para a Covid-19. Segundo o CBMGO, eles foram imediatamente isolados dos demais companheiros e levados para Goiânia.

"O estado de saúde de ambos é bom e eles ficarão em quarentena, sob supervisão médica. Todos os bombeiros militares que trabalham na operação estão sendo testados", informou, em nota. Quem testar positivo será retirado da missão e substituído.

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