Checamos: Bolsonaristas distorcem notícias e mentem sobre relação entre vacinas e HIV

·2 min de leitura
  • Presidente usa como fonte de informação para sua fala sites conspiracionistas e antivacina

  • Não existe qualquer relação entre os imunizantes contra a Covid e infecção por HIV

  • Boato já foi desmentido pelo Yahoo! Notícias

Em uma tentativa de reforçar a narrativa negacionista de Jair Bolsonaro (sem partido) sobre as vacinas contra a Covid-19, apoiadores do presidente tentam associar a imunização contra a Covid-19 ao desenvolvimento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). As alegações infundadas dizem se basear em uma reportagem da revista Exame. A reportagem do Yahoo! Notícias já verificou peças de desinformação que compartilharam boatos semelhantes.

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do mandatário, reforçou a alegação falsa em suas redes sociais e escreveu: “‘meio de comunicação do bem’ chamado @exame divulga a informação e o atacado é quem leu sua matéria”.

Reportagem publicada pela revista Exame não reforça tese infundada dita por Bolsonaro (Foto: Facebook/Reprodução)
Reportagem publicada pela revista Exame não reforça tese infundada dita por Bolsonaro (Foto: Facebook/Reprodução)

Em entrevista, o presidente Jair Bolsonaro culpou a imprensa por sua declaração: “dois dias antes da minha live, ou melhor na segunda-feira, a revista Exame fez uma matéria sobre vacina e Aids”, disse Bolsonaro errando a data de publicação da reportagem.

Contudo, no registro é possível verificar que o presidente segura uma folha com o texto do site conspiracionista Before it News. Além disso, a reportagem da revista Exame, publicada em 20 de outubro de 2020, e mencionada por Bolsonaro e seus apoiadores não sustenta a tese infundada. Após a polêmica, o site atualizou na segunda-feira, 25 de outubro, o termo “Out/20” e um ponto de interrogação no título para sinalizar que o conteúdo é antigo.

No domingo, 24 de outubro, o Facebook e o Instagram removeram o vídeo de Bolsonaro mencionando a informação falsa. Na noite de segunda-feira (25), o YouTube também excluiu a live do presidente transmitida na quinta-feira, 21 de outubro, por infringir a política de desinformação sobre a Covid-19 da plataforma. Na ocasião, o Bolsonaro leu um texto com informações falsas sobre a vacinação. Devido à exclusão, ele ficará impedido de publicar novos vídeos no canal por sete dias.

Origem da desinformação

O boato surgiu após grupos antivacina compartilharem alegações falsas sobre um suposto relatório produzido pelo governo britânico relacionando as vacinas contra a Covid-19 com o HIV. A informação é infundada.

Além do tom opinativo, as postagens trazem dados inseridos digitalmente e atribuem o relatório ao governo britânico para aferir credibilidade. Como a verificação do Yahoo! Notícias mostrou, a peça de desinformação foi compartilhada nos sites conspiracionistas Before it News e The Expose UK ⎼ conhecidos por disseminarem informações falsas sobre as vacinas.

É importante ressaltar, que uma pessoa não contrai a Aids devido ao enfraquecimento do sistema imunológico, mas em decorrência da infecção pelo vírus HIV, quando há contato direto com o sangue ou secreções de um indivíduo infectado.

A peça de desinformação também foi analisada pelo Aos Fatos e Estadão Verifica.

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