Checamos: Bolsonaro distorce informações ao defender spray anti-covid

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  • Bolsonaro distorce informações ao defender spray anti-covid

  • Declaração foi feita durante live semanal

  • Presidente fez falsa comparação entre sprays nasais

O presidente Jair Bolsonaro (PL), em live transmitida ontem (20) em seu canal no YouTube, distorceu informações sobre sprays nasais contra o novo coronavírus ao mencionar dois produtos diferentes com ações diferentes como se fossem iguais.

Alguém deve se lembrar que no início do ano passado, nós mandamos uma delegação nossa para Israel. [...] Entre outras coisas, fomos ver lá a questão do spray nasal para a Covid, um medicamento. E aí o que a imprensa fala na época? 'Com spray, Bolsonaro insiste em medicamento sem eficácia contra a Covid-19'. Isso foi em março de 2021. O que aconteceu em janeiro de 2022? Adivinha, adivinha? A imprensa: 'Spray nasal anticovid pode proteger todas as variantes por até 8 horas', ok? Bolsonaro tem razão”, afirmou o mandatário durante a transmissão ao vivo para seus apoiadores no YouTube.

No entanto, os produtos mencionados por Bolsonaro são diferentes. Um é o spray nasal israelense chamado de EXO-CD24, voltado para casos graves do novo coronavírus. O medicamento tem como objetivo inibir a "tempestade de citocina", que seria uma resposta inflamatória exagerada do organismo que pode aparecer em casos graves de Covid-19

O outro medicamento citado pelo presidente é um spray nasal desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Helsinque, capital da Finlândia, com ação preventiva contra a Covid-19, podendo proteger contra a doença por até oito horas. A molécula desenvolvida pela equipe se chama TriSb92 e inativa a proteína usada pelo coronavírus para invadir as células.

Bolsonaro distorce informações ao defender spray anti-covid durante live semanal (Foto: YouTube/Reprodução)
Bolsonaro distorce informações ao defender spray anti-covid durante live semanal (Foto: YouTube/Reprodução)

A Anvisa é o órgão sanitário responsável pela avaliação e aprovação de medicamentos no Brasil. Para um imunizante ser liberado no Brasil a Anvisa analisa como ele foi produzido, os estudos e embasamentos técnicos que concluíram pela segurança e eficácia do medicamento. Após a liberação do uso em seres humanos, o órgão também faz o monitoramento para possíveis eventos adversos.

Na última quarta-feira (19), a Anvisa cancelou o aval para a fabricação, importação e comercialização de um outro spray nasal israelense, chamado Taffix, que seria capaz de bloquear vírus respiratórios. Em nota, o órgão explica que “o produto apresentou alegações de ser bloqueador de vírus dentro da cavidade nasal e ser altamente eficaz no bloqueio de vários vírus respiratórios, incluído o Sars-CoV-2. No entanto, não foram apresentados estudos clínicos que comprovem eficácia para esse fim, o que torna necessário o seu cancelamento imediato.”

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