Checamos: Bolsonaro ignora vacina e faz afirmação sem fundamento sobre imunidade de rebanho

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  • Em entrevista, Jair Bolsonaro fez afirmação sem base científica sobre imunidade de rebanho

  • Declaração foi feita em entrevista ao site Gazeta Brasil

  • Entenda o que é imunidade de rebanho e como as vacinas reduzem o número de casos graves e mortes por Covid

Em entrevista à Gazeta Brasil, na quarta-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que a imunidade de rebanho está salvando o Brasil da Covid-19, mas a afirmação não tem respaldo científico.

“A imunidade de rebanho é uma realidade, a pessoa que se imuniza com o vírus tem muito mais anticorpos que aquela que se imuniza com a vacina”, afirmou o mandatário durante a entrevista.

Em entrevista, Jair Bolsonaro fez afirmação sem base científica sobre imunidade de rebanho (Foto: YouTube/Reprodução)
Em entrevista, Jair Bolsonaro fez afirmação sem base científica sobre imunidade de rebanho (Foto: YouTube/Reprodução)

Essa, assim como outras declarações proferidas por Bolsonaro sobre a imunização contra o novo coronavírus e verificadas pelo Yahoo! Notícias, é insustentável.

O conceito de imunidade de rebanho significa que, se uma parcela significativa da população desenvolver anticorpos contra uma determinada doença — seja pela imunização ou pela infecção — a cadeia de transmissão é reduzida a ponto de eliminar o patógeno. Pesquisas apontam que, para atingir esse estágio, seria necessário que cerca de 40% a 80% da população criasse defesas contra o SARS-CoV-2, vírus transmissor da Covid-19.

Em um cenário ideal, a imunização de grande parcela da população deveria ser atingida a partir do desenvolvimento de uma vacina. No entanto, como observado no caso brasileiro, houve atraso e negligência do governo federal na obtenção e distribuição do imunizante. No relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que a gestão do governo Bolsonaro foi omissa “e optou por agir de forma não técnica e desidiosa no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, expondo deliberadamente a população a risco concreto de infecção em massa."

Uma análise publicada em 10 de dezembro de 2021 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre a efetividade das vacinas no Brasil mostrou que os imunizantes reduzem o risco de infecções, internações e óbitos pelo novo coronavírus. Considerando os casos graves (internação ou óbito) em indivíduos com idade entre 20 e 80 anos, a proteção variou entre 83% e 99% para todas as vacinas.

“Na população abaixo de 60 anos, todas as vacinas apresentam proteção acima de 85% contra risco de hospitalização e acima de 89% para risco de óbito”, diz o estudo.

A declaração também foi analisada pelo UOL Confere.

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