Checamos: Bolsonaro mente sobre fogo na Amazônia

·2 min de leitura
  • Informação falsa foi dita pelo presidente durante live semanal

  • Bolsonaro ainda usou argumento distorcido sobre origem das queimadas

  • A reportagem do Yahoo! Notícias já verificou outras declarações do presidente durante transmissão semanal

Durante live realizada na última sexta-feira, 19 de novembro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mentiu sobre as queimadas na Amazônia. Ele disse que a “floresta amazônica não pega fogo”, o que não é verdade.

Bolsonaro reproduziu a informação falsa durante visita recente à Dubai, nos Emirados Árabes, durante discurso para investidores em uma tentativa de captar recursos para o Brasil. O mandatário brasileiro afirmou que a Amazônia não pegava fogo porque "era uma floresta úmida". A declaração falsa é mais uma tentativa de mascarar os números recordes de queimadas e desmatamento que a região vem enfrentando.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante transmissão ao vivo realizada na última sexta-feira, 19 de novembro (Foto: YouTube/Reprodução)
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante transmissão ao vivo realizada na última sexta-feira, 19 de novembro (Foto: YouTube/Reprodução)

A afirmação, contudo, não tem base científica, contraria os índices de queimadas da região e engana ao não reconhecer os avanços do desmatamento e dos incêndios na região. Relatório divulgado na semana passada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que a taxa de desmatamento na Amazônia Legal Brasileira (ALB) ficou em 13.235 quilômetros quadrados no período de 1 agosto de 2020 a 31 julho de 2021. O índice é apurado pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) e representa um aumento de 21,97% em relação à taxa de desmatamento do período anterior.

De acordo com o mapeamento do Inpe, os estados do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia correspondem a 87,25% do desmatamento estimado na Amazônia Legal, sendo o Pará o estado com maior contribuição absoluta de desmatamento (5.257 km2).

Artigo publicado na revista Nature em setembro deste ano revela que o relaxamento das políticas de fiscalização ambiental é o principal responsável pelo aumento do desmatamento na Amazônia brasileira. Em carta publicada no site da revista Science em setembro do ano passado, pesquisadores do Inpe, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de Estocolmo apontaram que entre 2019 e 2020, parte significativa das queimadas e do desmatamento na Amazônia estava ligada a médios e grandes fazendeiros e não a pequenos agricultores.

A divulgação dos indicadores foi postergada pelo governo Bolsonaro para depois do 26º encontro da Conferência das Partes da Convenção (COP26) em Glasgow, na Escócia. Durante a conferência do clima, a delegação brasileira recebeu críticas de ativistas por não divulgar o documento que costuma estar disponível no início de novembro. O Yahoo! verificou o debate promovido pelo governo brasileiro na COP26. Na ocasião, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, usou informações falsas sobre as metas climáticas do Brasil.

A reportagem já analisou outras declarações do presidente durante a costumeira transmissão semanal para os seus apoiadores, como: desinformação sobre a vacina contra a Covid-19, afirmação falsa sobre imunização no Brasil e omissão sobre drible no teto de gastos para pagar o Auxílio Brasil.

A peça de desinformação também foi analisada pelo UOL Confere.

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