Checamos: campanha sobre AVC na França não tem relação com Covid-19

·3 min de leitura
  • Falsa associação circula em grupos antivacina

  • Na verdade, campanha faz alerta sobre efeitos do AVC em crianças

  • Cartaz não possui nenhuma relação com o novo coronavírus

Posts que circulam nas redes sociais sugerem que o governo francês estaria promovendo uma campanha para alertar sobre os efeitos adversos da vacinação contra a Covid-19 em crianças. A afirmação é falsa.

“Advertência no metrô de Paris sobre AVC em crianças. Uma novidade da Era Pós Vacinas Covid:

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

Nas crianças os sinais são os mesmos que nos adultos:

Paralisia de um lado do corpo

Deformidade facial

Distúrbios da fala

Mas é para o seu bem!”, é o texto com a informação falsa compartilhado nas redes sociais.

No entanto, uma busca reversa pelo cartaz revela que ele não possui nenhuma relação com a campanha de imunização contra o novo coronavírus para crianças. Na verdade, iniciativa faz alerta sobre Acidente Vascular Cerebral (AVC) em crianças.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vacina da Pfizer contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos. Além do órgão sanitário, especialistas das sociedades brasileiras de Infectologia (SBI), de Imunologia (SBI), de Pediatria (SBP), de Imunizações (SBIm) e de Pneumologia e Tisiologia também participaram da avaliação. Desde então, a desinformação sobre o uso do imunizante para essa faixa etária começou a circular nas redes sociais — encorajada pela postura negacionista de Jair Bolsonaro (PL).

Peça de desinformação tira de contexto campanha de AVC em crianças veiculada na França. Cartaz não tem nenhuma ligação com imunização contra a Covid-19 (Foto: Twitter/Reprodução)
Peça de desinformação tira de contexto campanha de AVC em crianças veiculada na França. Cartaz não tem nenhuma ligação com imunização contra a Covid-19 (Foto: Twitter/Reprodução)

A mesma autorização de uso já foi concedida pelo Food and Drug Administration (FDA) e pela European Medicines Agency (EMA) — agências regulatórias de saúde dos Estados Unidos e União Europeia —, além de países como Costa Rica, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá, Peru e Uruguai.

Mas não é a primeira vez que grupos antivacina compartilham mensagens nas redes sociais desencorajando a imunização contra a Covid-19 e espalham boatos questionando a segurança e eficácia da vacina da Pfizer dizendo que ela não é recomendada para adolescentes, o que não é verdade. O Yahoo! Notícias já desmentiu essa peça de desinformação.

Em junho, a Anvisa passou a autorizar a aplicação do imunizante para pessoas com 12 anos de idade ou mais. Na nota, a Anvisa diz que a aprovação do uso da vacina em adolescentes foi feita “após a apresentação de estudos desenvolvidos pelo laboratório que indicaram a segurança e eficácia da vacina para este grupo'. Os estudos foram desenvolvidos fora do Brasil e avaliados pela Anvisa.”

A partir de então, a bula da vacina da Pfizer passou a indicar esta faixa etária. Anteriormente, ela só era aplicada em pessoas com mais de 16 anos. O imunizante da Pfizer é o único que pode ser aplicado em menores de idade no Brasil.

A Anvisa é responsável pela avaliação e aprovação de medicamentos no Brasil. Para um imunizante ser liberado no Brasil o órgão analisa como ele foi produzido, os estudos e embasamentos técnicos que concluíram pela segurança e eficácia do medicamento. Após a liberação do uso em seres humanos, a Anvisa também faz o monitoramento para possíveis eventos adversos.

A peça de desinformação também foi desmentida pela AFP.

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