Checamos: é falso que diretor da OMS disse que não recomenda o carnaval em 2022

·2 min de leitura
  • Afirmação enganosa circula nas redes sociais

  • Não há registro de tal declaração de Tedros Adhanom

  • Reportagem do Yahoo! Notícias já verificou peça de desinformação semelhante sobre a festividade

Publicações que circulam nas redes sociais afirmam que o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, não recomenda a realização do carnaval em 2022. A afirmação é falsa.

"Diretor da OMS não recomenda carnaval em 2022. E agora? Como ficam políticos, juízes, mídia e empresários, mortadelas que afirmaram ser "genocídio" não seguir o determinado pela OMS?”, diz o texto que acompanha a montagem com a foto de Adhanom.

Não há registros de que o diretor da entidade tenha feito essa afirmação. A reportagem do Yahoo! Notícias analisou os discursos feitos por Adhanom e tampouco encontrou registro similar.

Frase é falsamente atribuída ao diretor da OMS, Tedros Adhanom, e compartilhada nas redes sociais (Foto: Facebook/Reprodução)
Frase é falsamente atribuída ao diretor da OMS, Tedros Adhanom, e compartilhada nas redes sociais (Foto: Facebook/Reprodução)

Em abril deste ano, Sylvain Aldighieri, integrante da diretoria da OMS, mencionou o carnaval e a pandemia de Covid-19 em uma conferência. Na ocasião, Aldighieri afirmou que os eventos realizados na América do Sul entre o final de 2020 e início de 2021 (Natal, Ano Novo, Carnaval e Páscoa) foram sucedidos do relaxamento das medidas sanitárias, o que levou a “um aumento de casos e mortes que poderia ter sido evitado”, segundo ele.

A OMS define os indicadores da doença no mundo. De acordo com o órgão, uma pandemia pode ser dividida em oito fases que são definidas para que governos e autoridades sanitárias adotem medidas para proteger a população. O novo coronavírus foi classificado como uma doença pandêmica pela OMS em 11 de março de 2020.

Em seu site, a OMS afirma que “como cada aglomeração internacional é diferente, os fatores a serem considerados ao determinar se o evento deve ser cancelado também podem ser diferentes. Qualquer decisão de alterar um evento planejado deve ser baseada em uma avaliação cuidadosa dos riscos e como eles podem ser gerenciados, e o nível de planejamento do evento”.

A reportagem do Yahoo! Notícias verificou outra peça de desinformação sobre a festividade. Posts alegavam de forma enganosa que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) iria vetar o carnaval do próximo ano. Contudo, as ações de combate ao coronavírus não são só de responsabilidade da União. Elas são compartilhadas por diferentes esferas da administração pública: governo federal, estados e municípios. Mesmo que houvesse alguma sinalização do governo Bolsonaro a respeito do cancelamento da festividade, ainda caberia recursos na Justiça para questionar a ação por parte dos outros entes federativos. Por isso, a especulação também foi classificada como enganosa ao não citar os caminhos que devem ser tomados para a tomada de tal decisão.

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