Checamos: é falso que ministro sul-africano disse que variante ômicron não existe

·2 min de leitura
  • Texto com mensagem falsa circula em grupos antivacina

  • Na gravação, ministro da Saúde da África do Sul tirou dúvida sobre a nova variante

  • Presidente sul-africano criticou as medidas restritivas impostas ao país

Publicações nas redes sociais alegam de forma enganosa que o ministro da Saúde da África do Sul, Joe Phaahla, teria dito que a ômicron não seria uma nova variante da Covid-19 e que o Reino Unido, Europa e a mídia estão mentindo sobre a cepa do novo coronavírus. A afirmação é falsa.

“Urgente: O Ministro da Saúde da África do Sul diz que o governo do Reino Unido, Europa e a mídia estão mentindo sobre a super variante Nu/ômicron. Não caiam na narrativa da mídia! Não há variante! Se trata de uma reação do corpo humano com as proteínas spike contidas nas vacinas, não há vírus!”, diz a mensagem que circula na internet.

Entretanto, o ministro da Saúde da África do Sul, Joe Phaahla, nunca disse que a ômicron não é uma variante do novo coronavírus. A reportagem do Yahoo! Notícias fez uma busca reversa por um frame do vídeo que acompanha o texto com a alegação falsa. A peça de desinformação exibe, na verdade, um trecho do pronunciamento do ministro sul-africano feito na última sexta-feira, 27 de novembro de 2021. Na gravação ele tirou dúvidas sobre o anúncio da nova cepa, feito por cientistas do país no dia anterior. Phaahla ainda afirmou que a descoberta da variante indica a necessidade de monitoramento do vírus e disse que não se pode descartar a eficácia dos imunizantes contra a Covid-19 diante da nova variante.

Informação falsa distorce pronunciamento do ministro da Saúde da África do Sul (Foto: Facebook/Reprodução)
Informação falsa distorce pronunciamento do ministro da Saúde da África do Sul (Foto: Facebook/Reprodução)

O ministro também criticou as medidas de restrição de voos impostas por países como o Reino Unido e outras nações da Europa, além dos Estados Unidos. O ministro da Saúde disse que seu país não deve ser punido por ser transparente.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, também criticou as restrições de viagem impostas para conter a variante ômicron da Covid-19. Segundo ele, as medidas não estariam seguindo a ciência e contradiz o acordo firmado por países no G20 para que ao menos 40% da população do mundo seja vacinada até o fim do ano.

Começou a valer na segunda, 29 de novembro, as restrições impostas pelo Brasil a voos que tenham origem ou passagem por República da África do Sul, República de Botsuana, Reino de Essuatíni, Reino do Lesoto, República da Namíbia e República do Zimbábue.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a variante representa um risco elevado, contudo ressaltou que "ainda não está claro se Omicron é mais transmissível (por exemplo, mais facilmente transmitido de pessoa para pessoa) em comparação com outras variantes, incluindo Delta. O número de pessoas com teste positivo aumentou em áreas da África do Sul afetadas por esta variante, mas estudos epidemiológicos estão em andamento para entender se é por causa do Omicron ou outros fatores".

A peça de desinformação também foi verificada pelo Aos Fatos.

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