Checamos: É falso que o Datafolha se recusa a entrevistar eleitores de Bolsonaro

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) em meio a apoiadores, em Sorocaba (SP), em 13 de setembro de 2022 (Foto: Getty Images / Rodrigo Paiva)
Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) em meio a apoiadores, em Sorocaba (SP), em 13 de setembro de 2022 (Foto: Getty Images / Rodrigo Paiva)
  • Publicações nas redes sociais acusam o Datafolha de se recusar a entrevistar eleitores de Jair Bolsonaro

  • Junto às publicações, circula um vídeo de uma pesquisadora do instituto que, após se negar a entrevistar um homem, passou a ser intimidada

  • Mas a acusação não procede e a atitude da mulher faz parte do procedimento adotado pelo Datafolha

Um vídeo de uma pesquisadora do Datafolha sendo intimidada por um eleitor do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) circula nas redes sociais com mais de 42 mil interações.

As publicações alegam que a mulher teria se recusado a entrevistar um homem por ele ser eleitor de Bolsonaro. "Ela não aceita bolsonarista [...]. Se você é bolsonarista ela não aceita, tá vendo? Só aceita do Lula [...] Datafolha", diz um homem na filmagem.

Contudo, conforme explicado pelo instituto de pesquisa, a recusa da entrevistadora faz parte dos procedimentos técnicos da empresa. O objetivo é a manutenção da aleatoriedade da aplicação dos questionários.

Captura de tela de um vídeo que circula acusando o Datafolha de não aceitar entrevistar eleitores de Jair Bolsonaro (Foto: TikTok / Reprodução)
Captura de tela de um vídeo que circula acusando o Datafolha de não aceitar entrevistar eleitores de Jair Bolsonaro (Foto: TikTok / Reprodução)

Após a viralização do vídeo, o Datafolha publicou uma nota explicando a postura da pesquisadora, uma vez que sua recusa faz parte dos procedimentos adotados pelo instituto.

Uma vez que a abordagem dos entrevistados deve ser realizada de maneira aleatória, não se pode aceitar pedidos de entrevistas partindo de pessoas que desejam ser entrevistadas. Segundo a nota, a transgressão do procedimento por parte da pesquisadora implicaria no cancelamento automático de todos os seus questionários.

"Além disso, ela explicou que tinha cotas de idade a cumprir, que a pessoa em questão não atenderia", completou o instituto na nota.

O Datafolha explicou ainda que essas orientações são passadas de maneira regular a seus pesquisadores de campo por meio de treinamentos.

Pesquisas eleitorais, como saber em quais posso confiar?

Em meio a essa diversidade de levantamentos existentes no Brasil, muitos eleitores não sabem em quais resultados acreditar.

No primeiro dia do ano passou a ser obrigatório (leia a resolução clicando aqui) o registro junto à Justiça Eleitoral de qualquer pesquisa pública relacionada às eleições para presidente e governador. Porém, se uma pesquisa está registrada não necessariamente significa que ela será confiável, isso porque não há nenhum tipo de fiscalização prévia sobre a metodologia desses levantamentos.

Atualmente, a confiabilidade das pesquisas é garantida no Brasil por meio da transparência. São algumas das informações que devem ser cadastradas junto à Justiça Eleitoral, tornando as pesquisas passíveis de contestação, caso qualquer irregularidade seja encontrada posteriormente:

  • Nome do contratante

  • Valor cobrado pela pesquisa

  • Origem dos recursos investidos

  • Metodologia

  • Período de realização

  • Sistema de fiscalização da coleta de dados

  • Tipo de questionário aplicado

Para identificar os atributos que mais merecem atenção nas pesquisas eleitorais, a reportagem do Yahoo! Notícias conversou com alguns especialistas no assunto e separou uma lista com os pontos mais importantes, confira aqui.

Conteúdo semelhante foi verificado pelo Boatos.org.