Checamos: é falso que Teori Zavascki disse que ‘método de Moro é medieval’ antes de morrer

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  • Sergio Moro
    Jurista brasileiro, ex-Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil
  • Afirmação é falsamente atribuída ao ex-ministro do STF Teori Zavascki

  • Texto enganoso circula há quatro anos nas redes sociais

  • Em voto no processo da Lava Jato, Zavascki sequer citou o nome do ex-juiz

Posts que circulam nas redes sociais alegam que um dia antes de falecer o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, criticou o ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro (Podemos). A afirmação é falsa.

Zavascki morreu na queda de um avião em 19 de janeiro de 2017 e não é a primeira vez que o nome do ex-ministro é alvo de desinformação. À época de seu falecimento, conteúdo semelhante foi desmentido pela Agência Lupa.

"Logo depois que o ministro Teori questionou o método Moro, morreu num acidente de avião", diz a descrição do post que compartilha a montagem com a frase falsamente atribuída ao ex-ministro do STF.

Publicações compartilhadas nas redes sociais enganam ao sustentar que um dia antes de seu falecimento, Zavascki teria dito que "o método Moro de manter pessoas presas sem culpa configurada em busca de delações é 'medievalesco' e envergonha qualquer sociedade civilizada”.

Declaração falsamente atribuída ao ex-ministro Teori Zavascki circula desde 2017 (Foto: Facebook/Reprodução)
Declaração falsamente atribuída ao ex-ministro Teori Zavascki circula desde 2017 (Foto: Facebook/Reprodução)

A reportagem do Yahoo! Notícias verificou que, de fato, o ex-ministro teceu críticas às prisões preventivas no âmbito da Operação Lava Jato em uma ocasião. Em abril de 2015, o ex-ministro criticou a manutenção de uma prisão com o objetivo de obter uma delação premiada. Contudo, não fez nenhuma menção ao então juiz da força-tarefa, Sergio Moro.

Em seu voto, o ministro que também era relator do processo, afirmou que a pena poderia ser substituída naquele momento por outras medidas, já que os réus não apresentavam risco para a investigação.

“É certo que não consta ter o paciente se disposto a realizar colaboração premiada, como ocorreu em relação aos outros. Todavia, essa circunstância é aqui absolutamente irrelevante, até porque seria extrema arbitrariedade – que certamente passou longe da cogitação do juiz de primeiro grau e dos tribunais que examinaram o presente caso, o TRF da 4ª Região e o Superior Tribunal de Justiça – manter a prisão preventiva como mecanismo para extrair do preso uma colaboração premiada, que, segundo a Lei, deve ser voluntária (Lei 12.850/13, art. 4º, caput e § 6º). Subterfúgio dessa natureza, além de atentatório aos mais fundamentais direitos consagrados na Constituição, constituiria medida medievalesca que cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada”, escreveu o ministro em sua decisão.

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