Checamos: é falso que vacina contra Covid-19 causa AVC em pilotos de avião e não aumentou abortos

·3 min de leitura
  • Vídeo com informação falsa circula em aplicativos de mensagem

  • De acordo com pesquisa de agência de saúde dos Estados Unidos, o risco de aborto é comparável à média observada na população geral

  • Não existem relatos de AVC em pilotos por causa do imunizante contra a Covid-19, diz Aeronáutica

Circula em aplicativos de mensagem instantânea um vídeo de pouco mais de quatro minutos em que uma mulher faz alegações falsas contra os imunizantes desenvolvidos contra a Covid-19.

Durante o discurso, a mulher faz um “alerta” para o que chama de “problema de segurança nacional” decorrentes de efeitos adversos em pessoas que tomaram a vacina contra o novo coronavírus. Ela não menciona, contudo, a fonte para tais afirmações. Apenas cita vagamente estudos, mas não faz referência à universidade ou laboratório que fizeram tais pesquisas e tampouco apresenta dados que sustentem tal afirmação.

A pessoa que aparece no vídeo diz que as vacinas podem causar abortos e Acidente Vascular Cerebral (AVC). No Brasil, só é indicado pelo Ministério da Saúde as vacinas Coronavac e Pfizer em gestantes. Além disso, o risco de aborto não está previsto na bula do remédio desenvolvido pelo Butantan e nem do imunizante da farmacêutica norte-americana.

De acordo com estudo desenvolvido pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), Centro de Controle e Prevenção de Doenças, em português — órgão federal do departamento de saúde dos Estados Unidos — das 3.958 pessoas que participaram da pesquisa após terem recebido a vacina da Pfizer ou da Moderna no país norte-americano. A pesquisa verificou que entre as 827 participantes que tiveram uma gravidez completa, foi observado nascimento em 712 (86,1%) e aborto espontâneo em 104 (12,6%).

Vídeo com informação falsa sobre vacina circula em grupos antivacina de aplicativos de mensagem instantânea (WhatsApp/Reprodução)
Vídeo com informação falsa sobre vacina circula em grupos antivacina de aplicativos de mensagem instantânea (WhatsApp/Reprodução)

Após a publicação do estudo, os autores do estudo reconheceram um erro. Entre as 827 participantes com gravidez completa, 700 receberam sua primeira dose de vacina no terceiro trimestre. Contudo, essas participantes deveriam ter sido excluídas do cálculo porque já haviam passado da 20ª semana de gravidez quando receberam a vacinação.

“Essass participantes devem ser excluídas do cálculo porque já haviam passado da 20ª semana quando receberam a vacinação. O risco de aborto espontâneo deve ser determinado com base no grupo de participantes que receberam a vacinação antes da 20ª semana e foram acompanhados até a 20ª semana ou tiveram uma perda de gravidez anterior”, declararam os pesquisadores.

Posteriormente, em outubro deste ano, foi publicada uma nova pesquisa com informações atualizadas de 2.456 gestantes. Contudo, a pesquisa concluiu que o risco de aborto para grávidas com 6 a 20 semanas de gestação (14,1%) era comparável à média observada na população geral.

Ainda no registro, a mulher afirma que “os pilotos vacinados estão tendo AVCs, a segurança de voo da malha aérea brasileira comercial e militar pode estar em risco”. Contudo, não existe nenhum estudo no Brasil que relacione o registro de casos de AVC em pilotos de avião com a vacina. O Comando da Aeronáutica afirmou à Agência Lupa, que também analisou o conteúdo do vídeo: “não existem relatos de pilotos militares sofrendo AVC e nem risco conhecido à segurança de voo da malha aérea brasileira devido ao uso de imunizantes contra a Covid-19”.

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