Checamos: mamadeiras em formato de pênis não foram distribuídas em creches

·2 min de leitura
  • É falso que o objeto erótico foi distribuído em creches para combater a homofobia

  • Vídeo já foi desmentido durante campanha eleitoral para presidente em 2018

  • Fake news circula pelas redes sociais desde 2018 e é um dos maiores exemplos de conteúdo desinformativo

Um vídeo de 2018 em que um homem exibe uma mamadeira com o bico em formato de pênis voltou a circular nas redes sociais. No registro, o homem alega de forma enganosa que o objeto estaria sendo distribuído em creches para combater a homofobia como parte do “kit gay”, o que não é verdade.

O autor da gravação mostra o objeto e diz que a mamadeira “é distribuída em creche para o seu filho com a desculpa de combater a homofobia”. O vídeo não menciona em qual Estado, unidade de ensino ou município ocorreria a suposta distribuição.

Objeto não tem ligação com nenhuma instituição de ensino (Foto: Facebook/Reprodução)
Objeto não tem ligação com nenhuma instituição de ensino (Foto: Facebook/Reprodução)

O registro compartilhado novamente já foi desmentido durante a campanha eleitoral de 2018. Na ocasião, apoiadores do então candidato à presidência Jair Bolsonaro utilizaram o objeto, conhecido como “mamadeira de piroca” para acusar o candidato adversário do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, de distribuir o objeto em creches. Em nota publicada à época, a Secretaria Nacional de Comunicação do PT afirmou que o partido e a campanha de Haddad não tinham qualquer ligação com o produto mostrado no vídeo. “Está rodando pelo WhatsApp e pelas redes sociais um boato maldoso e falso que diz que mamadeiras com bico de borracha em formato de pênis foram distribuídas em creches pelo PT para combater a homofobia, de acordo com um vídeo falso compartilhado no Facebook na última semana. É MENTIRA! O PT jamais distribuiu nenhum tipo de material erótico, muito menos para crianças!”, diz o comunicado.

Desinformação sobre educação sexual

O nome pejorativo refere-se ao projeto Escola Sem Homofobia, encomendado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados ao Ministério da Educação (MEC), o projeto fazia parte do programa Brasil Sem Homofobia. Criado em 2004, o programa foi elaborado para combater o preconceito e a violência contra a população LGBTQIA+. O material - composto por um caderno com orientações para professores, boletins e vídeos - foi desenvolvido exclusivamente para a formação de educadores, e não tinha previsão de distribuição para alunos. O projeto foi vetado pela presidente Dilma Rousseff (PT) em 2011.

Em diversos momentos, Bolsonaro já se referiu ao “kit” e exibiu o livro Aparelho Sexual e Cia dando a entender que a obra fazia parte do projeto Escola Sem Homofobia. Editado pela Companhia das Letras, a publicação é indicada para adolescentes e de forma pedagógica informa sobre sexualidade. O livro nunca foi adotado pelo MEC e, em 2016, a pasta já havia negado por meio de nota que tivesse adquirido exemplares desse título.

A peça de desinformação já foi desmentida pelo Comprova.

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