Checamos: ministro do Meio Ambiente usa dado falso sobre meta climática do Brasil na COP26

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  • Corte na emissão de carbono apresentado como “mais ambicioso” é o mesmo de 2015, divulgado no Acordo de Paris

  • A meta climática do usa como referência o valor total de gases poluentes emitidos em 2005

  • O cálculo adotado pelo governo brasileiro é visto como uma “pedalada climática”

Em debate promovido pelo governo brasileiro no 26º encontro da Conferência das Partes da Convenção (COP26) em Glasgow, na Escócia, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, afirmou em seu discurso que o governo Bolsonaro anunciou metas climáticas “mais ambiciosas”. A afirmação, contudo, é falsa.

“O Brasil como ator chave nas negociações fez movimentos importantes durante os primeiros dias e anunciamos metas climáticas ainda mais ambiciosas”, afirmou Leite. Entretanto, a nova meta climática apresentada como "mais ambiciosa" não representa, na prática, menores emissões de carbono do que o país já havia se comprometido a fazer. Na realidade, o mesmo objetivo foi divulgado pelo Brasil no Acordo de Paris, em 2015, no governo da então presidente Dilma Rousseff (PT).

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, durante debate promovido pelo governo brasileiro na COP26 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, durante debate promovido pelo governo brasileiro na COP26 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A meta climática do Brasil no Acordo de Paris usa como referência o valor total de gases emitidos em 2005. Esse número é calculado pelo "Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa", do Ministério da Ciência e Tecnologia. O documento revisa periodicamente o valor absoluto de emissões de gases poluentes. Na revisão mais recente, o reajuste fez o número de 2005 saltar de 2,1 bilhões de toneladas para 2,8 bilhões de toneladas.

O cálculo adotado pelo governo brasileiro é visto como uma “pedalada climática” porque o usou uma nova base de cálculo e abandonou as quantidades absolutas, redefinindo a meta em porcentagem.

Ainda que seja usado como referência o valor de 2,8 bilhões de toneladas, uma redução de 50% até 2030 significaria uma emissão total de 1,4 bilhão de toneladas (superior ao 1,2 bilhão previsto em 2015).

Proibição de negacionismo climática em plataformas

As gigantes tecnológicas Google e YouTube anunciaram mudanças em suas políticas para coibir a divulgação de informações falsas sobre o negacionismo climático.

No dia 7 de outubro deste ano, a plataforma anunciou que vai proibir anúncios e retirar a monetização de canais no YouTube que compartilhem conteúdos negacionistas sobre as mudanças climáticas. “Estamos anunciando uma nova política de monetização para anunciantes do Google, editores e criadores do YouTube que proibirá anúncios e monetização de conteúdo que contradiga um consenso científico bem estabelecido sobre a existência e as causas das mudanças climáticas”, diz o texto.

Além de criadores de conteúdo, a política que está prevista para entrar em vigor este mês, também vale para anunciantes e editores do Google e YouTube.

O discurso do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, na COP26 também foi verificado pela Agência Lupa.

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