Checamos: No JN, Bolsonaro repetiu mentiras e enganou sobre feitos do governo

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022 (Foto: Internet / Reprodução)
Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022 (Foto: Internet / Reprodução)
  • Bolsonaro no JN: Na noite da última segunda-feira (22), o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro foi sabatinado ao vivo no Jornal Nacional

  • O candidato foi questionado sobre diversos temas, como suas ofensas a ministros, atuação na pandemia, desemprego, corrupção, entre outros

  • Ao responder sobre todos esses temas, o candidato se baseou em informações falsas. Confira a apuração do Yahoo! Notícias

Na noite da última segunda-feira (22), o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) estreou a série de entrevistas realizada pelo Jornal Nacional com os candidatos à Presidência.

Participarão também Ciro Gomes (PDT), nesta terça-feira (23), seguido por Lula (PT), na quinta-feira (25), e Simone Tebet, na sexta-feira (26).

Nessa primeira sabatina, Bolsonaro tratou sobre temas como suas ofensas a ministros, manifestações contrárias ao sistema eletrônico de votação, atuação na pandemia, corrupção, envolvimento com o centrão entre outros. Em declarações sobre todos esses temas, o candidato mencionou informações falsas.

Confira a checagem do Yahoo! Notícias sobre as declarações de Jair Bolsonaro do Jornal Nacional.

Ofensas a ministros

"Você não está falando a verdade quando fala em xingar ministro, não existe. Isso não existe. É um fake news da sua parte"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022

Ao ser questionado sobre xingamentos proferidos a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Bolsonaro negou. Mas sua declaração é falsa.

Em 9 de julho de 2021, o presidente chamou o ministro Luís Roberto Barroso, presidente à época do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de "imbecil" e "idiota". As ofensas foram feitas em uma conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília.

Naquele mesmo ano, em 6 de agosto, o mandatário chamou Barroso de "filho da puta" durante um encontro com apoiadores em Joinville (SC). "O filho da puta ainda trai gente dessa maneira. Aquele filho da puta do Barroso", disse ele. O momento chegou a ser registrado em um vídeo. Naquela oportunidade, o presidente participou de um almoço com empresários.

Durante um discurso na avenida Paulista, em São Paulo, em 7 de setembro de 2021, Bolsonaro chamou o Ministro Alexandre de Moraes de "canalha". "Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha", declarou.

Urnas eletrônicas

"Quando você diz que [as urnas] são auditáveis, em 2014 não aconteceu isso"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022

Ao contrário do que afirmou Bolsonaro, é possível, sim, auditar as urnas. Conforme já explicou o TSE, a auditoria da totalização de votos pode ser feita por meio do Boletim de Urna (BU) impresso pela urna. O BU é colado na porta da seção eleitoral e fica disponível para a conferência de qualquer cidadão. Os dados também são disponibilizados no site do tribunal.

Além disso, o registro digital do voto permite a partidos políticos e coligações a recontagem dos votos feitos nas urnas eletrônicas.

O presidente se baseou em uma auditoria especial do sistema eletrônico de votação contratada pelo PSDB em 2014, que concluiu não ter sido possível auditar especificamente a apuração feita pelos equipamentos de votação: "o sistema eletrônico de votação do TSE não está projetado e implementado para permitir uma auditoria externa independente e efetiva dos resultados que publica".

Contudo, a equipe contratada apontou a possibilidade de auditar a transmissão e a totalização dos votos. A auditoria concluiu também que não foram encontrados indícios de fraudes nem de erros nas eleições.

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022 (Foto: Internet / Reprodução)
Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022 (Foto: Internet / Reprodução)

Isolamento social

"Hoje muitos países já falam que o lockdown foi um erro, que as pessoas se contaminavam muito mais em casa do que nas ruas [...] Nova Iorque mostra isso aí"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022

É falso diversos países afirmaram que o lockdown foi um erro. Não foram encontradas declarações de chefes de Estado nesse sentido em buscas realizadas no Google.

Além disso, diferentes estudos científicos publicados em periódicos como a Nature, British Medical Journal, JAMA Internal Medicine e a Revista Brasileira de Epidemiologia demonstraram os impactos positivos de medidas restritivas implementadas em diferentes lugares do mundo. De acordo com os estudos, o isolamento foi eficaz na redução de mortes e infecções.

Também é falso que Nova Iorque demonstrou a ineficácia do lockdown. Em maio de 2020, o prefeito da cidade afirmou que 84% dos infectados estavam em casa. O dado foi apontado com o intuito de reforçar a necessidade de adotar as medidas preventivas contra o coronavírus. Isso não significa, no entanto, que o isolamento social não funcionou, uma vez que não foram apresentadas informações detalhadas sobre como e onde essas pessoas se contaminaram.

Centrão

"No meu tempo não era centrão. Não existia centrão. [...] No meu tempo esses partidos que eu já integrei não eram tidos como partidos do centrão"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022

A denominação "centrão" começou a ser utilizada durante a Assembleia Constituinte de 1987. O grupo unia partidos de centro e de direita com o objetivo de combater as propostas progressistas para a nova Constituição.

Entre os partidos que compõem o bloco, estão o PTB, PP e PSC – dos quais Bolsonaro já fez parte –, além do PL, ao qual o presidente está filiado hoje.

Corrupção

"Nós estamos num governo sem corrupção"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022

Desde o início da gestão de Bolsonaro, ministros têm sido apontados como envolvidos em casos de corrupção. O então ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio foi denunciado em outubro de 2019 por envolvimento no caso de candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais. Em dezembro ele foi demitido do cargo.

Em 2021, a PF (Polícia Federal) identificou indícios de envolvimento do então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles em um possível esquema de exportação ilegal de madeira.

Já em junho deste ano, o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro chegou a ser preso preventivamente pela PF. Ribeiro é suspeito de liderar um gabinete paralelo que liberava verbas da Educação para municípios por meio do pagamento de propina.

Pressões políticas

"Eu não aceitei pressões de lugar nenhum para escalar ministros"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022

No primeiro semestre de 2021, Bolsonaro realizou uma reforma ministerial na qual deu a titularidade de ministérios para membros do Centrão. Na Cidadania, assumiu o deputado João Roma, que fazia parte do Republicanos e Flávia Arruda (PL) passou a ocupar a liderança da Secretaria de Governo.

As mudanças foram apontadas (1, 2) como acenos de Bolsonaro às pressões do Centrão frente à ameaça da abertura de pedidos de impeachment e de CPIs contra ele.

A nomeação de Ciro Nogueira (PP) como chefe da Casa Civil em julho de 2021 também foi apontada como uma vitória do centrão em um momento no qual o presidente estava pressionado pela CPI da pandemia.

Transposição do Rio São Francisco

"Conseguimos a transposição do São Francisco que estava parado desde 2012, levando água para o Nordeste."

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional em 22 de agosto de 2022

É falso que as obras de transposição do rio São Francisco estivessem paradas desde 2012. Em 2015, a então presidenta Dilma Rousseff (PT) inaugurou um trecho da obra em Cabrobó (PE).

Já em 2017, Michel Temer, presidente à época, inaugurou o eixo leste do projeto de transposição.

Outras declarações do presidente, como as de que ele não errou nenhuma de suas previsões sobre a pandemia e a que seu governo criou o Pix já foram checadas pelo Yahoo! Notícias anteriormente.