Checamos: Secom distorce dados de segurança pública em gráfico

·2 minuto de leitura
  • Visualização distorcida foi publicada nos perfis da Secom nas redes sociais

  • Gráfico dá falsa ideia sobre relação de crimes com o porte de armas

  • “Mais legítima defesa, menos morte e violência”, é o slogan utilizado pelo governo federal para incentivar o registro de armas por civis

Em ocasião dos 1.000 dias do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) publicou em seus perfis nas redes sociais uma série de gráficos sobre segurança pública. Com o slogan “Mais legítima defesa, menos morte e violência”, a Secom usou visualizações distorcidas sobre a evolução dos casos de homicídios no país para defender o porte de armas.

Escala do gráfico  achatou evolução de crimes para defender o porte de armas (Foto: Twitter/Reprodução)
Escala do gráfico achatou evolução de crimes para defender o porte de armas (Foto: Twitter/Reprodução)

A última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que o número de armas nas mãos de civis dobrou nos últimos 3 anos:

Ano

Registros de armas

2017

42.387

2018

47.691

2019

94.416

2020

186.071

De acordo com os dados compilados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), entre 2018 e 2019 houve uma queda no número de homicídios (de 48.965 para 39.628). Contudo, de 2019 para 2020, o número de casos passou de 39.628 para 42.225 – o que não é mostrado de forma proporcional no gráfico da Secom.

Esses dados foram usados na arte, entretanto, há uma distorção na representação de cada crime na visualização usada pelo governo federal. A incidência de homicídios dolosos entre as mortes violentas é proporcionalmente maior que os outros dois crimes usados no comparativo, o que dá margem para uma falsa interpretação sobre o aumento do número de porte de armas por civis com a redução da violência.

Análise feita pelo Instituto Sou da Paz para o UOL Confere constatou que o gráfico da Secom usou uma escala que distorceu a evolução dos números de novas armas, homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios.

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Em setembro, a Petrobras usou a mesma “estratégia” desinformativa para se isentar da responsabilidade sobre o aumento dos preços da gasolina. O Yahoo! Notícias verificou que em um vídeo publicado pela estatal é exibido um gráfico da composição do preço da gasolina sobrado na bomba, contudo, não informa o percentual atribuído à cada taxa no valor repassado ao consumidor. A reportagem constatou que havia uma distorção entre o valor atribuído à Petrobras no vídeo e a porcentagem real, exibida no site, que é de 33,8% na composição do valor.

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