Checamos: vacinas contra a Covid-19 não são produtos de terapia gênica

·3 min de leitura
  • É falso que imunizantes desenvolvidos contra a Covid-19 são obtidos por terapia gênica

  • Afirmação enganosa circula nas redes sociais

  • Entenda o que é uma terapia gênica e como é errado relacioná-las aos imunizantes contra o novo coronavírus

Posts compartilhados nas redes sociais afirmam que as vacinas contra o novo coronavírus são produtos de terapia gênica, o que não é verdade.

“Vacina Covid não é vacina, é terapia gênica”, diz o texto compartilhado nas redes sociais comentando o anúncio da vacinação em crianças no Brasil.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), “as vacinas que empregam em sua tecnologia o código genético do vírus Sars-CoV-2 (vírus da Covid-19) não são produtos de terapia gênica porque não se utilizam de cópias de genes humanos para tratamentos de doenças”. O órgão ainda afirmou em comunicado que “o produto de terapia gênica é um medicamento especial que contém ácido nucleico recombinante (material genético), com o objetivo de regular, reparar, substituir, adicionar ou deletar uma sequência genética e/ou modificar a expressão de um gene humano, com vistas a resultados terapêuticos. Ou seja, a terapia gênica utiliza-se de material genético humano, manipulado em laboratório, para tratamento de doenças genéticas ou relacionadas. Já as vacinas de RNAm, a exemplo da vacina da Pfizer, usam o código genético do vírus da Covid-19 para fabricar de forma sintética o chamado RNA mensageiro (RNAm), para que nossas células produzam a proteína característica do vírus e induzam a resposta imunológica. Nesse caso, não há interação ou interferência com os genes humanos. Convém informar que os RNAm são moléculas transitórias que são rapidamente degradadas nas células após produzirem as proteínas imunizantes.”

Dessa forma, os imunizantes contra o novo coronavírus são elaborados a partir de código genético do vírus da Covid-19 e usadas em processos de imunização de pessoas saudáveis e não para o tratamento de alterações genéticas ou de doenças relacionadas, por isso, ao contrário do que a peça de desinformação alega, não podem ser consideradas terapias gênicas.

Imunização em crianças virou alvo de desinformação após anúncio da vacina para crianças no Brasil. Ao contrário do que posts afirmam, imunizantes contra a Covid não são feitos por terapia gênica (AP Photo/Steven Senne, File)
Imunização em crianças virou alvo de desinformação após anúncio da vacina para crianças no Brasil. Ao contrário do que posts afirmam, imunizantes contra a Covid não são feitos por terapia gênica (AP Photo/Steven Senne, File)

Vacinação em adolescentes e crianças no Brasil

A Anvisa aprovou a imunização de crianças de 5 a 11 contra a Covid-19 no Brasil e, em meio ao noticiário, informações falsas sobre a vacinação nesse público começaram a circular nas redes sociais.

Em 11 de junho, a agência aprovou a vacina para pessoas a partir de 12 anos: “A Anvisa autorizou a indicação da vacina Comirnaty, da Pfizer, para crianças com 12 anos de idade ou mais. Com isso, a bula da vacina passará a indicar esta nova faixa etária para o Brasil”.

Na nota, a Anvisa diz que a aprovação do uso da vacina em adolescentes foi feita “após a apresentação de estudos desenvolvidos pelo laboratório que indicaram a segurança e eficácia da vacina para este grupo. Os estudos foram desenvolvidos fora do Brasil e avaliados pela Anvisa.”

A partir de então, a bula da vacina da Pfizer passou a indicar esta faixa etária. Anteriormente, ela só era aplicada em pessoas com mais de 16 anos. O imunizante da Pfizer é o único que pode ser aplicado em menores de idade no Brasil.

A Anvisa é o órgão sanitário responsável pela avaliação e aprovação de medicamentos no Brasil. Para um imunizante ser liberado no Brasil a Anvisa analisa como ele foi produzido, os estudos e embasamentos técnicos que concluíram pela segurança e eficácia do medicamento. Após a liberação do uso em seres humanos, o órgão também faz o monitoramento para possíveis eventos adversos.

Em 29 de outubro deste ano, a agência federal do departamento de saúde dos Estados Unidos, FDA (Food and Drug Administration, em inglês), aprovou o uso do imunizante da Pfizer para crianças entre 11 e 5 anos. “A autorização foi baseada na avaliação completa e transparente do FDA dos dados que incluíram contribuições de especialistas de comitês consultivos independentes que votaram esmagadoramente a favor de tornar a vacina disponível para crianças nessa faixa etária”, diz o comunicado.

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