Checamos: vacinas contra a Covid-19 não são tóxicas para crianças

·4 min de leitura
  • Alegação contida em vídeo viral é contestada por pesquisadores e autoridades sanitárias

  • Liberação do imunizante para crianças de 5 a 11 anos foi feita após avaliação da Anvisa e outras entidades

  • Peça de desinformação circula em grupos antivacina para desencorajar a imunização. Vacinas são seguras e eficazes contra a Covid-19

Circula nas redes sociais vídeo em que o virologista norte-americano Robert Malone afirma que criou a tecnologia que deu origem à vacina de mRNA, ele ainda alega que o imunizante provoca danos ao organismo de crianças. A afirmação é falsa.

“Esse gene [das vacinas de RNA mensageiro] força o corpo do seu filho a produzir proteínas Spike tóxicas. Essas proteínas frequentemente causam danos permanentes em órgãos vitais das crianças. Estes órgãos incluem seu cérebro e sistema nervoso; seu coração e veias sanguíneas, incluindo coágulos de sangue; seu sistema reprodutivo. E o mais importante: essa vacina pode provocar mudanças fundamentais em seu sistema imunológico”, diz trecho do vídeo com alegações falsas.

Legendas do vídeo com a declaração de Malone afirmam que um “gene viral” será injetado nas células-mãe e forçará o corpo da criança a produzir proteínas tóxicas. A peça de desinformação diz que tais proteínas costumam causar danos permanentes nos órgãos das crianças, incluindo o cérebro e o sistema nervoso. As alegações são falsas.

Vídeo em que Robert Malone faz alegações falsas sobre imunizante contra a Covid-19 em crianças viralizou nas redes sociais. Vacinas são seguras e eficazes contra o novo coronavírus (Foto: Twitter/Reprodução)
Vídeo em que Robert Malone faz alegações falsas sobre imunizante contra a Covid-19 em crianças viralizou nas redes sociais. Vacinas são seguras e eficazes contra o novo coronavírus (Foto: Twitter/Reprodução)

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o mRNA e a proteína spike não duram muito no corpo porque as células do ser humano quebram o mRNA e se livram dele alguns dias após a vacinação. Além disso, os cientistas estimam que a proteína spike pode permanecer no corpo por algumas semanas — o mesmo acontece com outras proteínas criadas pelo nosso corpo. O mRNA nunca entra no núcleo da célula onde nosso DNA (material genético) está localizado, portanto, ao contrário do que é alegado falsamente no vídeo, ele não pode alterar ou influenciar nossos genes.

"As vacinas de RNA não são feitas com partículas de patógenos ou patógenos inativados, portanto, não são infecciosas. O RNA não se integra ao genoma do hospedeiro e a fita de RNA da vacina é degradada assim que a proteína é produzida”, diz artigo da Fundação PHG, ligada à Universidade de Cambridge.

Desinformação sobre vacinas em crianças e adolescentes

A Anvisa autorizou a aplicação da vacina da Pfizer contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos. Além do órgão sanitário, especialistas das sociedades brasileiras de Infectologia (SBI), de Imunologia (SBI), de Pediatria (SBP), de Imunizações (SBIm) e de Pneumologia e Tisiologia também participaram da avaliação. Desde então, a desinformação sobre o uso do imunizante para essa faixa etária começou a circular nas redes sociais — encorajada pela postura negacionista de Jair Bolsonaro (PL).

A mesma autorização de uso já foi concedida pelo Food and Drug Administration (FDA) e pela European Medicines Agency (EMA) — agências regulatórias de saúde dos Estados Unidos e União Europeia —, além de países como Costa Rica, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá, Peru e Uruguai.

Mas não é a primeira vez que grupos antivacina compartilham mensagens nas redes sociais desencorajando a imunização contra a Covid-19 e espalham boatos questionando a segurança da vacina da Pfizer dizendo que ela não é recomendada para adolescentes, o que não é verdade. O Yahoo! Notíciasdesmentiu essa peça de desinformação.

Em junho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a autorizar a aplicação do imunizante para pessoas com 12 anos de idade ou mais. Na nota, a Anvisa diz que a aprovação do uso da vacina em adolescentes foi feita “após a apresentação de estudos desenvolvidos pelo laboratório que indicaram a segurança e eficácia da vacina para este grupo'. Os estudos foram desenvolvidos fora do Brasil e avaliados pela Anvisa.”

A partir de então, a bula da vacina da Pfizer passou a indicar esta faixa etária. Anteriormente, ela só era aplicada em pessoas com mais de 16 anos. O imunizante da Pfizer é o único que pode ser aplicado em menores de idade no Brasil.

A Anvisa é responsável pela avaliação e aprovação de medicamentos no Brasil. Para um imunizante ser liberado no Brasil o órgão analisa como ele foi produzido, os estudos e embasamentos técnicos que concluíram pela segurança e eficácia do medicamento. Após a liberação do uso em seres humanos, a Anvisa também faz o monitoramento para possíveis eventos adversos.

A peça de desinformação também foi verificada pela Agência Lupa.

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