Checamos: vídeo de pai chorando por morte de criança é de bombardeio na Síria e não tem relação com vacina

·2 min de leitura
  • Peça de desinformação circula nas redes sociais e em grupos antivacina

  • Registro não possui nenhuma relação com imunização

  • Na verdade, vídeo mostra menino vítima de bombardeio na Síria

Vídeo que circula nas redes sociais mostra um homem chorando ao lado do corpo de uma criança. Os posts afirmam que trata-se de um pai lamentando a morte da criança, que supostamente teria falecido em decorrência da vacina contra a Covid-19. A informação é falsa.

“GENOCÍDIO INFANTIL

💉🧬🧲🔊👧🧒☠️⚰️

Uma criança de 11 anos morre após receber a vacina. O pai desesperado não sabe o que fazer.

Crianças estão sendo assassinadas pelas farmacêuticas, pelos políticos corruptos, pela imprensa e pelos médicos, todos genocidas. Todos corrompidos”, diz o texto que compartilha a peça de desinformação.

Uma busca reversa pelo registro mostra que ele não possui nenhuma relação pela imunização contra a Covid-19. Na verdade, a gravação mostra um menino que foi vítima de um bombardeio na Síria, em outubro de 2021.

Peça de desinformação circula nas redes sociais para desencorajar imunização em crianças. Ao contrário do que o texto alega, registro foi feito na Síria e mostra criança vítima de bombardeio (Foto: Twitter/Reprodução)
Peça de desinformação circula nas redes sociais para desencorajar imunização em crianças. Ao contrário do que o texto alega, registro foi feito na Síria e mostra criança vítima de bombardeio (Foto: Twitter/Reprodução)

A reportagem do Yahoo! Notícias já verificou peças de desinformação compartilhadas por grupos antivacina desencorajando a imunização em crianças: posts alegava que vacinas criam seres humanos geneticamente modificados, alegação falsa sobre uso de crianças em experimentos, afirmação falsa feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre vacinação em adolescentes durante live e informação falsa sobre recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em junho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a autorizar a aplicação do imunizante para pessoas com 12 anos de idade ou mais. Na nota, a Anvisa diz que a aprovação do uso da vacina em adolescentes foi feita “após a apresentação de estudos desenvolvidos pelo laboratório que indicaram a segurança e eficácia da vacina para este grupo'. Os estudos foram desenvolvidos fora do Brasil e avaliados pela Anvisa.”

A partir de então, a bula da vacina da Pfizer passou a indicar esta faixa etária. Anteriormente, ela só era aplicada em pessoas com mais de 16 anos. O imunizante da Pfizer é o único que pode ser aplicado em menores de idade no Brasil.

Em 29 de outubro deste ano, a agência federal do departamento de saúde dos Estados Unidos, FDA (Food and Drug Administration, em inglês), aprovou o uso do imunizante da Pfizer para crianças entre 11 e 5 anos. “A autorização foi baseada na avaliação completa e transparente do FDA dos dados que incluíram contribuições de especialistas de comitês consultivos independentes que votaram esmagadoramente a favor de tornar a vacina disponível para crianças nessa faixa etária”, diz o comunicado.

A Anvisa é responsável pela avaliação e aprovação de medicamentos no Brasil. Para um imunizante ser liberado no Brasil o órgão analisa como ele foi produzido, os estudos e embasamentos técnicos que concluíram pela segurança e eficácia do medicamento. Após a liberação do uso em seres humanos, a Anvisa também faz o monitoramento para possíveis eventos adversos.

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