Chef que nunca visitou Buenos Aires vira o rei das empanadas

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RIO — Você sabe o que é empanada? Até 2017, Diogo Homem, um dos mais festejados especialistas nesta variação de pastel, nunca tinha visto, comido, nem ouvido falar na iguaria que é tradição entre os hermanos. Viagem a Buenos Aires, na Argentina, este empresário, de 36 anos, nascido e criado no Grajaú, também nunca fez. Os planos são para aterrissar por lá (sem falta!) em 2022. A verdade é que a iguaria entrou por acaso na vida do proprietário da La Panata, que inaugura uma nova fábrica até o fim deste mês na Praça da Bandeira.

A relação entre Homem e a empanada teve início pouco depois de este empreendedor nato ter declarado falência em um negócio do mercado de construção civil. Preparar receitas era uma realidade apenas na cozinha de sua casa. Reza a lenda que o seu risoto é irresistível. Mas a gastronomia nunca havia sido cogitada como fonte de renda. A necessidade de recomeçar, de abrir um novo negócio, no entanto, o fez aceitar um convite para se aventurar no ramo de alimentação. Do “muito prazer, empanada” para a oficialização de uma união duradoura, possivelmente até que a morte os separe, foi um pulo. A história de amor construída com vitórias, fracassos, risos e lágrimas se fortalece a cada dia. O casamento deu tão certo que os filhos não param de chegar. Uma franquia da marca já funciona, em Ipanema, e outras estão sendo geradas e começam a nascer até o fim de 2021. A Zona Norte está na fila para receber um espaço físico da grife de empanadas, mas, na real, não tem do que se queixar. As delícias da La Panata, com 14 sabores, chegam em todos os bairros da região, ou melhor, do Rio.

O céu é o limite para o empresário que se tornou chef de cozinha:

— Eu não tinha qualquer familiaridade com este produto, nem sabia nem do que se tratava. Mas virou uma paixão. Tudo começou uma semana depois de decretar falência. Fui ao Uptown, o mercado produtor da Barra, e um amigo, que é chef, me contou que um estande de lá estava desocupado. Decidimos virar sócios, mas não sabíamos em que tipo de negócio. Logo veio à cabeça a ideia de montar uma hamburgueria ou pizzaria. Mas não era possível porque havia lojas deste tipo no Uptown. Foi aí que o administrador do mercado sugeriu um espaço de empanadas. Comprei os equipamentos necessários e confiei no meu sócio. A parceria não durou muito, mas eu decidi seguir com as empanadas. Só que, dessa vez, com grande investimento na qualidade dos ingredientes.

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A esta altura, Homem não era mais apenas um empreendedor. A gastronomia já o havia conquistado de forma definitiva. A partir daí, uma sucessão de testes aconteceu para que ele chegasse à massa e aos recheios tão elogiados da La Panata.

— Como eu percebi que a empanada era um produto com grande aceitação, mergulhei de cabeça na gastronomia. Mudei as receitas, os insumos, tudo. Abri uma loja no Humaitá, que só trabalhava com as empanadas assadas na hora. A partir da pandemia, com a demanda crescente de delivery, reposicionei o negócio. Passei a produzir em uma fábrica em São Cristóvão as empanadas assadas que, posteriormente, são congeladas e embaladas a vácuo. Em breve, inauguro a fábrica própria na Praça da Bandeira — ressalta o chef, que disponibiliza o perfil @la.panata, no Instagram, para pedidos.

Criatividade a partir da receita tradicional

Antes mesmo de as empanadas mudarem a sua vida, Diogo Homem tinha talento para cozinhar. Mas o chef não aponta esta característica como determinante para o seu êxito na gastronomia.

— Gostar de ir para a cozinha me ajudou, claro, mas o segredo está em pesquisar profundamente o seu produto, escutar os clientes e apostar em insumos de qualidade. Uma das empanadas mais vendidas é a de linguiça artesanal. A de filé-mignon com gorgonzola e a de queijo e presunto, preparada com queijo canastra, também se destacam. Como nunca fui a Buenos Aires, fiquei à vontade para criar em cima da receita tradicional. Eu assino toda parte gastronômica, inclusive do alfajor, que é preparado com doce de leite que a gente produz —ressalta. —Tenho vontade de ir à Argentina, mas mesmo depois que eu for lá, a minha empanada vai continuar tendo um sabor bem carioca.

Na receita de sucesso de Homem também há espaço para a solidariedade. Em parceira com o amigo sambista Gabriel da Muda foi formada uma rede de apoio.

— No começo da pandemia, organizamos uma campanha de doação de alimentos que uniu empresários de gastronomia. Inicialmente, as arrecadações eram para os músicos que estavam sem poder trabalhar. Logo depois ampliamos nosso raio de ação. Durante um ano, assistimos muitas famílias com alimentos e contribuições em dinheiro para que comprassem gás ou pagassem alguma conta atrasada — lembra.

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