Netflix decide não exibir seus filmes no Festival de Cannes

Los Angeles (EUA), 11 abr (EFE).- A Netflix não exibirá seus filmes na edição deste ano do Festival de Cannes, anunciou nesta quarta-feira o chefe de conteúdo da plataforma digital, Ted Sarandos, em entrevista à revista "Variety".

"Queremos que nossos filmes estejam em igualdade de condições com qualquer outro (...). Há um risco para nós em irmos desta maneira e em termos nossos filmes e cineastas tratados de maneira desrespeitosa no festival. Eles marcaram o tom. Não acho que seria bom para nós estarmos ali", afirmou Sarandos.

Após a polêmica do ano passado sobre a presença na competição pela Palma de Ouro de "Okja" e "Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe", dois filmes da Netflix estreados diretamente na plataforma, o festival francês decidiu incluir neste ano a obrigação de que as produções que queiram participar tenham estreado em salas de cinema na França.

Assim, no 71º Festival de Cannes, que será realizado entre os próximos dias 8 e 19 de maio, os filmes de plataformas audiovisuais como a Netflix só poderão estar presentes nas sessões fora de competição, exceto que sejam exibidas primeiro nos cinemas, algo que por enquanto não está nos seus planos.

Sarandos não escondeu sua inconformidade com esta decisão de Cannes e acusou diretamente seu curador-geral, Thierry Frémaux.

"Thierry anunciou a mudança nas regras que requerem que um filme tenha distribuição na França, o que vai completamente contra o espírito de qualquer festival de cinema no mundo. Os festivais existem para ajudar que os filmes sejam descobertos e para que assim consigam distribuição", argumentou.

O principal responsável da Netflix também descartou a possibilidade de participar de Cannes fora disputa pelos prêmios.

"Não acredito que haja razão alguma para ir fora da competição. A regra foi feita de maneira implícita para a Netflix, e Thierry fez de maneira explícita sobre a Netflix quando a anunciou", completou.

Por último, Sarandos disse confiar ainda em que Cannes volte atrás na decisão e "se modernize".

"Continuaremos apoiando todos os filmes e todos os cineastas. Encorajamos Cannes para que volte a unir-se à comunidade cinematográfica mundial e que lhe dê as boas-vindas de novo", concluiu. EFE