Chefe da diplomacia da UE proporá novas medidas restritivas à Nicarágua

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O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, em 8 de junho de 2021

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, anunciou nesta terça-feira (6) que vai propor "nos próximos dias" ao Conselho da UE a adoção de novas medidas restritivas e sanções específicas contra a Nicarágua, pela detenção de vários líderes da oposição.

"Nos próximos dias, iremos propor ao Conselho a possibilidade de tomar medidas restritivas no estilo das que já foram tomadas no passado, buscando que não afetem os cidadãos" nicaraguenses, disse ao Parlamento Europeu.

A adoção de sanções por parte da UE exige a unanimidade dos 27 Estados-membros, e Borrell destacou que pode "impulsionar" sua adoção, mas que a decisão final é dos países do bloco.

O Parlamento Europeu convocou Borrell para discutir a situação na Nicarágua, e o chefe da diplomacia apontou que a crise no país centro-americano "chegou a um extremo tão grande que os Estados-membros [da UE], sem dúvida, terão que avaliar tomar ações".

A UE adotou um regime de sanções contra a Nicarágua em outubro de 2019, que em 2020 foi renovado por um ano, até outubro de 2021.

De acordo com Borrell, esse mecanismo "provavelmente terá que ser usado novamente".

A UE fechou em 2010 um Acordo de Associação com os países centro-americanos, que serve de marco para a cooperação europeia, e agora diversos legisladores europeus pediram a Borrell que a Nicarágua seja excluída dos benefícios desse instrumento.

Borrell, porém, disse que a suspensão da cooperação não afetaria o governo da Nicarágua, apenas a população.

"Nós queremos pressionar o governo, e não castigar mais o povo da Nicarágua", disse.

Em seu discurso, Borrell enfatizou que a onda de detenções de líderes opositores e pré-candidatos presidenciais elimina qualquer legitimidade das eleições previstas para 7 de novembro.

"Não há como realizar essas eleições como algo que se assemelhe a uma competição política que mereça ser considerada como tal", afirmou.

O chefe da diplomacia da UE disse que o chefe da delegação europeia em Manágua e embaixadores do bloco "se reuniram com o ministro das Relações Exteriores [da Nicarágua], e deixou claro que o governo não tem nenhuma intenção de abandonar sua intransigência".

"Para nós, a saída democrática é a única possível para a crise na qual a Nicarágua está imersa. (...) Estamos avaliando as ferramentas que possuímos, começando por novas sanções", disse o diplomata espanhol.

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