Chefe da diplomacia dos Emirados faz 1ª visita à Síria em 10 anos

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Imagem publicada pela Presidência síria no Facebook mostra Bashar al Assad (dir.) recebendo o ministro emiradense Abdullah bin Zayed al Nahyan, em 9 de novembro de 2021, em Damasco (AFP/-)

O ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed al-Nahyan, se reuniu nesta terça-feira (9) com o presidente sírio, Bashar al-Assad, em Damasco, pela primeira vez desde 2011, um exemplo dos crescentes esforços regionais para reduzir o isolamento do regime sírio e contrapor a influência do Irã.

Os Emirados, assim com os outros cinco Estados-membros do Conselho de Cooperação do Golfo - Omã, Arábia Saudita, Catar, Bahrein e Kuwait -, romperam suas relações diplomáticas com a Síria em fevereiro de 2012, por causa da repressão violenta das manifestações pró-democracia no país, que derivaram em uma guerra interna complexa e devastadora que já dura mais de dez anos.

Assad e o ministro emiradense conversaram sobre "as relações entre dois países irmãos e sobre a maneira de desenvolvê-las em todos os âmbitos", segundo a agência oficial de imprensa da Síria, Sana.

O presidente elogiou "as posições objetivas e corretas dos Emirados, que sempre se mantiveram ao lado do povo sírio", acrescentou a Sana.

A visita é parte dos esforços recentes de lideranças regionais para reduzir o isolamento de Assad. Nesse sentido, no mês passado, o príncipe herdeiro dos Emirados, Mohammed bin Zayed, falou por telefone com o presidente sírio.

Além da frente diplomática, o governo sírio também pretende relançar suas relações econômicas com seus vizinhos, já que o país sofre uma grave crise econômica provocada pela guerra e as sanções ocidentais.

Os Emirados não foram o único país a estender a mão para Assad ultimamente. Em setembro, o rei da Jordânia, Abdullah II, conversou com o presidente sírio por telefone pela primeira vez desde 2011. Naquele diálogo, os dois países concordaram em reabrir uma importante passagem fronteiriça.

A distensão das relações entre alguns países árabes e a Síria também é vista como uma forma de evitar que o Irã exerça uma influência ainda maior no país castigado pela guerra.

Com o início da guerra, a Síria tinha sido deixada de lado por boa parte do mundo árabe, e alguns países da região inclusive apoiaram os rebeldes que se levantaram contra Assad.

O Irã, por outro lado, sempre esteve ao lado do regime de Assad e aumentou progressivamente a sua presença no país com o avançar do conflito. Junto com a Rússia e o movimento libanês Hezbollah, o apoio iraniano foi crucial para que o regime conseguisse uma reviravolta no conflito a partir de 2015, recuperando grande parte do território e a maioria das grandes cidades.

A Síria, contudo, continua sendo um país muito fragmentado. Os curdos, apoiados pelos Estados Unidos, controlam o nordeste, enquanto outras áreas do norte estão dominadas por jihadistas e rebeldes, ou por forças turcas e seus aliados sírios. Segundo a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), o conflito no país árabe já deixou mais de meio milhão de mortos.

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