Chefe da ONU pede pressão para que golpe no Mianmar fracasse

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O secretário-general da ONU, Antonio Guterres, em 4 de fevereiro de 2020 na sede da entidade em Nova York

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta quarta-feira (3) que faria tudo ao seu alcance para garantir que a comunidade internacional "exerça pressão suficiente" sobre Mianmar para garantir o "fracasso" do golpe de Estado.

“Depois de eleições que acredito terem transcorrido normalmente, e após um grande período de transição, é absolutamente inaceitável mudar os resultados da votação e a vontade do povo”, afirmou ele em entrevista ao jornal Washington Post.

Questionado sobre a acusação contra a líder Aung San Suu Kyi, Guterres considerou que "se podemos acusá-la de algo é por ter estado muito próxima dos militares, por tê-los protegido demais".

"Espero que a democracia possa avançar novamente em Mianmar, mas para isso todos os prisioneiros devem ser libertados e a ordem constitucional deve ser restaurada", acrescentou.

O secretário-geral da ONU também lamentou que o Conselho de Segurança não tenha chegado a um acordo sobre um texto comum na terça-feira, após uma reunião urgente convocada pelo Reino Unido.

De acordo com um esboço de texto proposto ao conselho para negociação, obtido pela AFP, propunha-se condenar "o golpe militar", solicitar a "libertação imediata" dos detidos ilegalmente, assim como pedir a suspensão do estado de emergência declarado por um ano.

Segundo fontes diplomáticas, as negociações dos 15 membros do Conselho de Segurança prosseguiram na noite de quarta-feira, em particular com a China e a Rússia, que foram os que bloquearam a declaração na terça-feira.

Na segunda-feira, o exército de Mianmar pôs fim à frágil transição democrática do país, impôs o estado de emergência por um ano e prendeu Aung San Suu Kyi, a chefe de fato do governo civil, e outras autoridades de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

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