Chefe da ONU 'profundamente perturbado' pela repressão aos manifestantes no Peru

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O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, em 24 de setembro de 2020 em Nova York
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, em 24 de setembro de 2020 em Nova York

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, está "profundamente perturbado" com a repressão policial aos manifestantes no Peru que protestavam contra a destituição do presidente Martín Vizcarra, disse seu porta-voz, Stéphane Dujarric, nesta segunda-feira (16).

"O secretário-geral está profundamente perturbado com relatos do suposto uso excessivo da força e violência pelas forças de segurança durante os protestos, incluindo a morte de dois jovens, dezenas de feridos e ataques a trabalhadores da imprensa", disse Dujarric durante a coletiva de imprensa diária.

A destituição de Vizcarra por "incapacidade moral" há uma semana e a posse de seu sucessor, Manuel Merino, cinco meses antes das eleições gerais de abril desencadearam protestos massivos que foram duramente reprimidos pela polícia.

Merino renunciou no domingo, apenas cinco dias após assumir o cargo, e o parlamentar centrista Francisco Sagasti foi eleito pelo Congresso nesta segunda-feira como novo presidente do Peru, o terceiro em uma semana, com o desafio de pacificar o país em meio à pior crise política em duas décadas.

Um porta-voz do Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, com sede em Genebra, afirmou à AFP que, "após um convite do governo do Peru, será enviada uma missão ao país para avaliar as implicações da crise política para os direitos humanos".

O Ministério Público peruano abriu nesta segunda-feira uma investigação preliminar contra Merino pela morte dos dois jovens, aparentemente por responsabilidade da polícia.

Guterres acompanha com “preocupação” a situação no Peru, disse seu porta-voz, e “urge todos os envolvidos a trabalhar para uma solução rápida e institucional para a atual crise política e os desafios que o país enfrenta, por meio de um diálogo inclusivo e de respeito total ao Estado de Direito".

lbc/llu/am