Chefe de Delegacia da Mulher é acusado de agredir e ameaçar namorada: “Vou te matar”

Marcos era chefe de investigação na Delegacia da Mulher - Foto: Reprodução/Google Street View
Marcos era chefe de investigação na Delegacia da Mulher - Foto: Reprodução/Google Street View
  • Policial que chefiava investigação na Delegacia da Mulher foi denunciado por agredir e ameaçar a namorada

  • Ele está sendo acusado de violência doméstica, injúria, ameaça, entre outros crimes

  • Segundo a vítima, rapaz chegou a ameaçá-la de morte

Chefe de investigação da Delegacia Especial de Proteção à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, o policial civil Marcos André de Oliveira dos Santos, de 50 anos, foi denunciado por agressões e ameaças a uma ex-namorada.

De acordo com informações do jornal O Globo, os crimes teriam sido cometidos durante o relacionamento do casal, que durou cerca de um ano. A vítima é uma advogada, que conheceu o policial justamente na Deam, quando foi buscar a cópia de um inquérito em fevereiro de 2021.

Segundo a mulher, de 29 anos, Marcos tinha um “ciúme doentio”, que evoluiu para agressões físicas e verbais quando ela tentou romper o relacionamento.

A Polícia Civil confirmou que o agente foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça, pelo crime de violência doméstica. Ele também é acusado de lesão corporal, injúria, ameaça e violência psicológica pela ex-companheira.

A vítima gravou conversas nas quais Marcos a ameaça e a agride. Ela apresentou os áudios à Corregedoria-Geral de Polícia Civil, onde formalizou a denúncia.

“Vou te matar e me matar depois”

De acordo com o que foi relatado pela advogada na ocorrência, o policial foi mudando com os meses de relacionamento e passou a controlar detalhes da vida dela, como a roupa que vestia, os amigos que encontrava e para onde dia. Além disso, impedia comunicações por telefone e redes sociais, afastando-a de amigos e familiares.

“No início, ele era um doce, era muito presente. Mas já começou mentindo a idade. Primeiro, disse que tinha 35 anos, depois 38. Só descobri a idade verdadeira dele quando foi tomar a vacina contra a Covid”, explicou a vítima ao Globo.

O policial, divorciado e pai de um adolescente de 16 anos, teria dado início às agressões em outubro do ano passado, após a primeira tentativa da advogada de terminar o namoro.

“Com o tempo, o acusado ficou mais agressivo, passando a xingar, humilhar e desferir tapas no rosto e na cabeça da vítima durante as discussões, que em sua maioria eram motivadas por ciúmes”, diz a denúncia.

Gravações comprovam crimes

Em duas das tentativas de romper com o acusado, a vítima registrou as conversas entre eles por celular. Na primeira, na própria casa, em 31 de dezembro, ouviu de Marcos: “Se sua irmã aparecer aqui, vou te furar, vou te matar e me matar depois”.

A segunda aconteceu em 19 de janeiro, no mesmo local. Segundo a denúncia, Marcos passou a madrugada “xingando, ameaçando, humilhando e agredindo fisicamente a companheira/vítima”.

“Você vai se f…”, “vou te meter a porrada”, “vou f… a tua vida”, “piranha, filha da p…”, foram algumas das frases ditas pelo acusado.

Neste áudio, também é possível identificar as agressões do policial. Em certo momento, a advogada reclama de puxões de cabelo e cuspidas na cara, ao que o homem responde: “Você escolhe: soco na cara, spray na garganta ou apneia”.

“Marcos, você prende quem faz isso. Como você está fazendo isso comigo? Polícia pode bater em mulher?”, ela questiona. “Pode, pô. Se a mulher merecer, pode”, responde o agente.

Três horas imobilizada

Dias mais tarde, em 17 de fevereiro, Marcos teria invadido o escritório da vítima, ofendendo-a e imobilizando-a por cerca de três horas. Na tentativa de se desvencilhar, a mulher teve lesões nas pernas.

Mesmo com medida protetiva obtida, a vítima preferiu fechar o escritório, reabrindo em outro lugar apenas recentemente. Ela tem acompanhamento psicológico e luta para se reestabelecer.

“Tive perda financeira, perdi o meu trabalho no bairro, onde eu gostava de trabalhar. Fui humilhada de todas as formas. Eu perdi minha vida. Hoje, eu tenho medo de sair. Ele falou para mim algumas vezes que não precisava fazer, mandava fazer. Tenho medo de ir à uma festa e alguém passar a faca em minha barriga”, disse.

Segundo a Polícia Civil, Marcos foi afastado do serviço na Deam de Jacarepaguá, “assim como não está exercendo a função em nenhuma unidade especializada neste tipo de atendimento”. Não foi informado onde o agente está lotado.

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