Chefe de Direitos Humanos da ONU se diz alarmada com ameaças a ambientalistas e indígenas no Brasil

Em discurso de abertura do Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta segunda-feira, a alta comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, afirmou estar alarmada com as ameaças crescentes a ambientalistas e indígenas no Brasil. Sem mencionar casos específicos, ela pediu às autoridades brasileiras que respeitem os direitos humanos e ambientais. O Conselho acontece em Genebra, na Suíça.

— No Brasil, estou alarmada com ameaças contra defensores dos Direitos Humanos e ambientais e contra indígenas, incluindo a contaminação pela exposição ao minério ilegal de ouro — declarou Bachelet. — Peço às autoridades que garantam o respeito aos direitos fundamentais e instituições independentes.

Conforme noticiou o G1, na sessão, ela chamou a atenção ainda para a ameaça de ataques a legisladores e candidatos às eleições do Brasil, particularmente negros, mulheres e pessoas LGBTQIA+, e para "casos recentes de violência policial e racismo estrutural" também no Brasil.

Sobre as eleições no Brasil, a chefe de Direitos Humanos da ONU pediu ainda garantias de que o processo seja "justo e transparente" e de que "não haja interferências de nenhuma parte para que o processo democrático seja alcançado".

Na última sexta-feira (10), a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH), Ravina Shamdasani, declarou preocupação com a falta de informação sobre o paradeiro do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. Segundo Shamdasani, o governo brasileiro demorou para iniciar as buscas pela dupla, desaparecida há seis dias no Vale do Javari, no Amazonas.

— Agora, após decisão judicial, as autoridades empregaram mais meios para procurar esses dois homens. Mas inicialmente a resposta das autoridades foi lenta — disse Shamdasani em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.

A porta-voz lembrou que o escritório regional de Direitos Humanos da ONU na América do Sul está monitorando de perto a situação e afirmou que “é crucial que as autoridades federais e locais reajam de maneira robusta, disponibilizando todos os meios e recursos existentes para uma busca eficiente na área remota em questão.”

Na ocasião, a ONU também pediu mais proteção aos indígenas no Brasil, especialmente os que vivem em áreas isoladas ou sem contato e infirmou que quer a adoção de medidas para garantir o direito à terra, aos territórios e a meios de subsistência, além da proteção de todas as formas de violência e de discriminação por atores estatais e não-estatais.

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