Chefe do ELN diz que vai reduzir ações do grupo na Colômbia

Por Moises AVILA
Pablo Beltrán, chefe da missão negociadora do ELN, fala durante entrevista com a AFP em Havana, 28 de maio de 2019

O grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN), que retomará as ações militares na Colômbia em 1º de maio após um mês de cessar-fogo, quer reduzir a intensidade do conflito, apesar da falta de acordos com o governo, disse o chefe de sua delegação de negociação em Havana.

"Mesmo que não haja reciprocidade, continuaremos com uma política de fazer gestos humanitários que reduzam a intensidade do conflito. Fazemos isso por princípio, mesmo que o governo não faça", disse à AFP, via internet, o chefe da delegação do ELN em Cuba, Pablo Beltrán, nesta terça-feira (28).

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o último grupo guerrilheiro reconhecido na Colômbia criticou o governo de Iván Duque por não ter "respondido reciprocamente" ao cessar-fogo concedido pelos rebeldes diante a emergência sanitária provocada pelo novo coronavírus.

O ELN questionou o governo por sua falta de "vontade" de "retomar as negociações de paz em Havana".

Duque interrompeu há mais de um ano as negociações de paz que esse grupo mantinha com seu antecessor, Juan Manuel Santos, como resultado de um ataque a bomba contra uma academia de polícia que matou 22 cadetes, além do agressor.

O que garante que isso não aconteça novamente?

"De Havana, é difícil para mim, no campo operacional, dizer o que vem a seguir. Mas acho que dessa maneira há uma situação de conflito armado, devemos insistir que a Colômbia deixe de ser um peão no plano de guerra dos Estados Unidos", assegurou.

Na terça-feira, o Alto Comissário para a Paz do governo colombiano, Miguel Ceballos, pediu ao ELN "um cessar-fogo permanente e a entrega imediata de todos os reféns, todos os menores que foram recrutados à força e a cessação imediata da instalação de minas antipessoal ".

Mas Beltrán lembrou que durante essa concessão do ELN eles continuaram a matar líderes sociais.

"O ELN tomou ações de defesa, mas as comunidades exigem que haja uma maior presença de dissuasão nessas áreas", explicou.

Ao suspender o cessar-fogo, "paramos de desviar das operações que eles têm e começamos a fazer mais trabalho de dissuasão", acrescentou.

Duque condicionou seu retorno às negociações à libertação dos sequestrados e à suspensão de todas as "atividades criminosas" do ELN, às quais o comando rebelde sempre recusou por causa de suas imposições unilaterais.

"Só porque dizemos que o governo não deu ouvidos às nossas propostas de cessação bilateral não significa que as deixemos de lado ... uma cessação bilateral nos permite enfrentar melhor a pandemia", acrescentou Beltrán.