Chefe do Estado Maior dos EUA se reuniu com negociadores talibãs em Doha

·3 minuto de leitura
O chefe do Estado Maior dos EUA, general Mark Milley

O chefe do Estado Maior dos Estados Unidos se reuniu separadamente com os talibãs e o presidente afegão esta semana para preparar o caminho rumo ao fim do conflito no Afeganistão, anunciou o Pentágono nesta quinta-feira (17).

Em seu encontro com os talibãs no Catar, o general Mark Milley "abordou a necessidade de uma redução imediata da violência e de acelerar os avanços para uma solução política negociada que contribua para a estabilidade regional e que preserve os interesses nacionais americanos", segundo um comunicado do Pentágono emitido nesta quinta-feira.

Com o objetivo de acabar com as "guerras intermináveis", o presidente republicano em fim de mandato decidiu reduzir a presença militar americana no Afeganistão para 2.500 soldados até 15 de janeiro, deixando para o seu sucessor, o democrata Joe Biden, a decisão de uma retirada total, apesar do fato de as negociações de paz entre o governo afegão e os talibãs terem sido suspensas até 5 de janeiro.

Milley, após se reunir pela segunda vez com os representantes dos insurgentes talibãs, também se encontrou em Cabul com o presidente Ashraf Ghani, no dia seguinte.

Por razões de segurança, antes do primeiro aniversário da morte do general iraniano Qasem Soleimani, falecido nas mãos dos militares americanos, nenhuma informação sobre a viagem foi divulgada - nem mesmo pelos três jornalistas americanos que a cobriram - antes do chefe do Estado-Maior deixar a região.

A viagem coincide com os esforços do atual presidente Donald Trump para acelerar a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão, uma de suas promessas eleitorais.

Seu sucessor, o presidente eleito Joe Biden, se mostrou durante muito tempo a favor de encerrar a guerra mais longa da história dos Estados Unidos, mas não informou se dará continuidade ao plano de retirada marcado por Trump.

O democrata já indicou sua intenção de deixar forças reduzidas no Afeganistão para operações de contraterrorismo.

Quando era vice-presidente de Barack Obama, Biden se mostrou contra o envio de reforços a este país do Oriente Médio em 2009, mas suas opiniões não prevaleceram.

Em virtude de um acordo assinado com os talibãs em fevereiro, os Estados Unidos aceitaram retirar suas tropas do Afeganistão antes de maio de 2021. Em troca, os talibãs se comprometeram a não deixar que grupos extremistas se instalem no país e a fazer negociações com o governo.

A retirada dos EUA preocupa legisladores e especialistas que consideram que as tropas que continuarão não são suficientes para conter o ressurgimento dos insurgentes extremistas. Os aliados dos americanos na OTAN mantêm suas tropas no Afeganistão.

A entidade anunciou que decidirá sobre o seguimento de sua missão no Afeganistão em fevereiro, depois que Biden assumir a presidência.

No entanto, o Afeganistão está em uma situação de violência renovada, já que nas últimas semanas os talibãs têm realizado ataques quase diários contra as forças do governo, e não é certo que o novo governo democrata dos Estados Unidos aceitará a retirada total prevista nos termos do acordo de Doha.

O Exército americano mantinha 13.000 soldados no Afeganistão há um ano, e essa presença foi reduzida para 5.000 em junho e, posteriormente, para 4.500 em novembro.

sl-sct/jm/gma/yo/aa/bn/mvv