Chefe de governo de Hong Kong descarta concessões, apesar de abalo na economia

Por Yan ZHAO
"Bem-vindos a Hong Kong, uma cidade dirigida pela polícia e pelos mafiosos", diz cartaz nas costas de um manifestantes, no aeroporto de Hong Kong, em 9 de agosto de 2019

A chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, advertiu nesta sexta-feira (9) que as manifestações pró-democracia dos últimos dois meses estão provocando uma tormenta econômica na cidade, mas descartou concessões aos ativistas.

"No que se refere a uma solução política, não acho que tenhamos que fazer concessões para silenciar os manifestantes violentos", declarou Carrie em uma entrevista coletiva convocada após se reunir com líderes empresariais.

"A desaceleração desta vez aconteceu muito rápido. Alguém a comparou com um tsunami", afirmou.

O setor privado e a indústria do turismo manifestaram sua preocupação diante do impacto econômico da crise.

A companhia de transportes Cathay Pacific advertiu que as reservas estavam caindo, as agências de viagens registraram quedas de até 50% nas reservas em grupo, e a Junta de Turismo relatou uma redução da ordem de dois dígitos nas chegadas de visitantes na segunda metade de julho.

"A recuperação econômica vai levar muito tempo", advertiu Lam.

- 'Destino: Liberdade'

Ao mesmo tempo, centenas de manifestantes protagonizavam hoje um ato pacífico no aeroporto de Hong Kong para sensibilizar os visitantes estrangeiros sobre seus protesto. Novas convocações foram feitas para este fim de semana.

A maioria estava vestida de preto, a cor deste movimento surgido em 9 de junho. Os jovens se sentaram no chão na área de desembarque. Nas mãos, cartazes em chinês e em inglês, com frases condenando a violência policial.

Nas redes sociais, a ação no aeroporto era anunciada por meio de falsos cartões de embarque, nos quais se podia ler: "Hong Kong, destino à liberdade", ou "uma calorosa acolhida aos visitantes de Hong Kong". Os passageiros que chegavam se mostravam surpresos, e alguns tiravam fotos.

"Quando vejo o protesto aqui, me parece realmente pacífico. Não são agressivos de modo algum. Sinto que estão tentando mostrar seu coração. Muito genuíno", disse no aeroporto Monica Yoon Hee-jung, recém-chegada da Coreia do Sul.

Clara Boudehen, uma visitante francesa, disse estar "muito impressionada" com o ato. "É muito importante ver a população lutar pela democracia", afirmou, em entrevista à AFP.

Nesta sexta, completam-se dois meses do início das mobilizações, deflagradas por um grande protesto contra um projeto de lei de extradição. A pauta do movimento acabou se ampliando e passou a incluir demandas por mais justiça e democracia.

Hong Kong vive sua maior crise política desde que foi devolvida por Londres à China, em 1997. As manifestações quase diárias causam cada vez mais confrontos entre grupos radicais e a polícia.

O polêmico projeto de lei foi suspenso, mas os manifestantes continuam reivindicando sua retirada definitiva. Também pedem a renúncia de Lam e a designação de um sucessor por meio do sufrágio universal, em vez de nomeações feitas por Pequim.

Além disso, exigem uma investigação sobre a violência policial e sobre abusos da Justiça, diante das centenas de detenções das últimas semanas.