Chefe de milícia do Congo diz em julgamento ter protegido civis

Por Thomas Escritt
Bosco Ntaganda em julgamento no Tribunal Penal Internacional, em Haia. 02/09/2015 REUTERS/Michael Kooren

Por Thomas Escritt

HAIA (Reuters) - O chefe de milícia Bosco Ntaganda, que está sendo julgado em Haia pelas acusações de ter orquestrado estupros e assassinatos em um conflito no nordeste do Congo no início dos anos 2000, disse que era um “líder revolucionário” tentando restaurar a paz na província.

Os relatos de estupros e massacres durante os combates dominaram os dois primeiros dias do julgamento. Promotores afirmam que Ntaganda organizou uma guerrilha para fortalecer seus aliados e resguardar os recursos minerais da região para si mesmo.

Mas Ntaganda, que iniciou sua carreira militar em 1994 lutando ao lado de forças tutsi em Ruanda que puseram fim ao genocídio no país, declarou que sua União de Patriotas Congoleses (UPC) tentou proteger os civis de todas as etnias.

“Tinha sido dada a ordem de matar todos os tutsis em Ituri, ou aqueles que se parecessem com eles”, disse. “Peço a vocês que façam uma distinção entre um rebelde revolucionário e um criminoso”, pediu aos jurados. “Não sou um criminoso”.

Mais cedo, um advogado das vítimas havia descrito como meninas de até 12 anos foram forçadas a servir de “esposas” a membros de alto escalão do UPC ou obrigadas a fazer sexo com os soldados.

Os promotores dizem que Ntaganda deixou soldados da etnia hema sob seu comando estuprarem e massacrarem civis da etnia lendu que viviam em terras ricas em petróleo, diamantes e ouro que ele queria para si mesmo. Eles também o acusam de estuprar crianças soldados.