Chefe militar dos EUA aponta China como ameaça ambiental à América Latina

Megaprojetos financiados pela China estão causando "danos" ao meio ambiente na América Latina, região também afetada pelo tráfico de drogas, disse nesta quarta-feira (14) a chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Laura Richardson.

Durante a Conferência Sul-Americana de Defesa em Quito, Richardson criticou o gigante asiático. "Atores como a República Popular da China também estão causando danos em nossa região", afirmou, de acordo com a tradução oficial do evento.

Richardson acrescentou que "estudos independentes de organizações latino-americanas concluíram que muitos dos megaprojetos financiados pela China estão causando erosão em rios, poluindo a água, destruindo terras férteis e desestabilizando ecossistemas delicados".

Richardson citou como exemplo as frotas pesqueiras chinesas que costumam estacionar todos os anos em frente à zona econômica exclusiva das Ilhas Galápagos, que pertencem ao Equador, ameaçando sua delicada reserva marinha.

Além disso, empresas daquele país construíram usinas hidrelétricas no Equador que apresentam falhas, além de explorar petróleo e minerais.

A Conferência Sul-Americana de Defesa "Southdec 2022", da qual participam representantes de Argentina, Brasil, Colômbia, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname e Uruguai, durará até quinta-feira na capital equatoriana.

O evento abordará temas como tráfico de drogas, mineração e pesca ilegal, crime organizado e defesa cibernética.

Segundo Richardson, as organizações ligadas à China estão "tentando manipular as populações por meio de campanhas de desinformação e atividades cibernéticas maliciosas e continuam apoiando regimes autoritários na Venezuela, Cuba e Nicarágua".

O ministro da Defesa equatoriano, Luis Lara, comentou que hoje "torna-se cada vez mais urgente encontrar um mecanismo de cooperação (...) diante da investida do tráfico de drogas, das organizações criminosas transnacionais".

O Equador mantém uma guerra contra o tráfico de drogas, que disputa o poder nas ruas e nas prisões, desencadeando uma onda de crimes. Confrontos entre prisioneiros ligados a traficantes de drogas deixaram quase 400 mortos desde fevereiro de 2021.

No ano de 2021, as apreensões de drogas no Equador chegam a 140 toneladas.

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