Chefe de saúde de Portugal pede confiança em meio a revolta com demora de vacinação

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Profissional de saúde prepara vacinas Pfizer/BioNTech contra Covid-19 para aplicação em hospital em Lisboa

LISBOA (Reuters) - A chefe de saúde de Portugal procurou garantir à população do país assolado pelo coronavírus que as pessoas serão vacinadas em meio a uma revolta crescente contra os atrasos e os fura-filas.

Na maior parte das últimas semanas, Portugal sofreu as maiores taxas de mortes e infecções per capita do mundo. Ao mesmo tempo, como outros países da União Europeia, está demorando muito mais do que o Reino Unido ou os Estados Unidos para distribuir vacinas.

"Todos serão vacinados --não podemos todos tomar (a vacina) no mesmo dia. Existem prioridades", disse Graça Freitas aos repórteres. "As pessoas precisam confiar no sistema. O sistema convidará todos a serem vacinados."

Vários prefeitos, o marido de uma médica e até a mãe de um padre foram inoculados antes de sua vez em Portugal, que ainda está priorizando trabalhadores da saúde da linha de frente, moradores de casas de repouso e pessoas de mais de 80 anos.

O partido de oposição PSD disse que os responsáveis deveriam enfrentar processos criminais, e parlamentares, sindicatos e cidadãos frustrados fizeram críticas pesadas aos fura-filas.

"A fraude na vacinação mina a confiança dos cidadãos nas instituições", escreveu o enfermeiro português Mario Macedo no Twitter. "As vacinas são escassas, e (a) fraude pode adiar o objetivo de proteger os mais vulneráveis."

Em um país de 10,3 milhões de habitantes, só cerca de 350 mil já receberam alguma vacina, dos quais 75 mil receberam uma segunda dose.

(Por Catarina Demony, Sergio Gonçalves e Victoria Waldersee)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759)) REUTERS ES