Chefe do Talibã a favor de um acordo "político" no Afeganistão, apesar de suas vitórias militares

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Uma delegação afegã do Talibã participa de uma sessão das discussões de paz com o governo afegão em Doha, em 17 de julho de 2021

O líder do Talibã Haibatulá Ajundzada reiterou neste domingo(18) que é "decididamente a favor de uma solução política" no Afeganistão além do "avanço e vitórias militares" de suas tropas nos últimos dois meses.

“Em vez de depender de estrangeiros, resolvamos nossos problemas entre nós e salvemos a pátria da crise atual”, declarou Haibatullah Ajundzada por ocasião do dia muçulmano de Eid al Adha (celebração do sacrifício).

“De nossa parte, estamos determinados a encontrar uma solução por meio do diálogo, mas o campo da frente continua perdendo tempo”, disse Ajundzada em sua mensagem.

O anúncio ocorre em um momento em que representantes do governo afegão e do Talibã se reúnem em Doha neste fim de semana para uma nova rodada de negociações, tendo como pano de fundo uma ampla ofensiva do Talibã contra as forças governamentais.

Desde o início de maio, coincidindo com o início da retirada definitiva das tropas estrangeiras do território afegão, as forças insurgentes lançaram uma grande ofensiva militar que não encontrou resistência das forças governamentais.

Isso lhes permitiu conquistar grandes áreas rurais e controlar vários postos avançados na fronteira com o Irã, Turcomenistão, Tadjiquistão e Paquistão.

Privado do apoio aéreo dos Estados Unidos, o governo controla apenas as capitais provinciais e as principais rodovias.

- "Educação de meninas" -

Em sua mensagem, o chefe do Talibã explica uma série de compromissos para um futuro "Emirado Islâmico" no Afeganistão.

Esse era o nome do regime talibã que liderou o país entre 1996 e 2001, e que foi afastado do poder pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro, por sua recusa em entregar Osama bin Laden.

“Queremos estabelecer relações diplomáticas, econômicas e políticas boas e consistentes (...) com todos os países do mundo, inclusive os Estados Unidos” e “asseguramos aos países vizinhos, da região e de todo o mundo que o Afeganistão não permitirá que ninguém ameace a segurança de nosso território", disse Ajundzada.

Ele falou também da promoção da alfabetização e garantiu que “o Emirado Islâmico se empenhará e zelará sobretudo para que haja um ambiente adequado para a educação das meninas, no marco da grande lei islâmica”, apesar do fato de que sob seu regime a educação das meninas e o trabalho assalariado das mulheres foram proibidos.

Embora nunca tenham assumido a responsabilidade, eles são creditados por inúmeros ataques a escolas nos últimos 20 anos.

O chefe do Talibã garantiu aos jornalistas seu "compromisso com a liberdade de expressão, dentro dos limites da Sharia (lei muçulmana, ndlr) e do interesse nacional", e expressou seu desejo de trabalhar com ONGs internacionais de saúde.

Ele, por sua vez, repetiu sua promessa de fornecer segurança a diplomatas, embaixadas, consulados, organizações humanitárias e investidores estrangeiros.

Desde o ano passado, Washington anunciou a retirada definitiva das tropas estrangeiras do Afeganistão (após um acordo com o Talibã), que têm tentado dar uma imagem de modernidade e moderação, especialmente no que diz respeito ao exterior.

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