Chefe do tráfico pede autorização para deixar a cadeia para trabalhar em empresa com salário de R$ 1,3 mil

Um dos principais chefes do tráfico da maior facção criminosa do Rio, Paulo César Souza dos Santos, o Paulinho Muleta, de 51 anos, quer deixar a cadeia para trabalhar. No dia 22 de dezembro do ano passado, o advogado do traficante fez um pedido à Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio para que ele tenha autorização para sair do presídio diariamente e trabalhar como auxiliar de serviços gerais numa empresa de transportes localizada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

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De acordo com a proposta de trabalho apresentada à Justiça por um dos sócios da empresa, Paulinho Muleta trabalharia de 8h às 17h, de segunda a sexta-feira, e ganharia salário de R$ 1,3 mil por mês. A solicitação feita à VEP é para que o traficante deixe a cadeia durante o dia para trabalhar, retornando à noite para dormir. A Justiça ainda não decidiu sobre o pedido.

Conforme revelado nessa quarta-feira pelo GLOBO, o traficante é investigado pela Polícia Civil por suspeita de ser um dos responsáveis pela expulsão de moradores de suas casas na comunidade do Tirol, na Freguesia, na Zona Oeste do Rio. De acordo com informações da polícia, as expulsões acontecem quando há suspeita de que o morador tem ligação com a milícia que atuava na comunidade, hoje dominada pelo grupo de Paulinho Muleta.

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As saídas da cadeia para trabalhar, estudar e visitar a família são benefícios que podem ser concedidos pelos juízes da VEP com o preenchimento de alguns requisitos. Um deles é que o preso esteja em regime semiaberto, etapa de cumprimento de pena na qual Paulinho Muleta está desde novembro do ano passado.

Na petição da defesa de Paulinho Muleta, seu advogado argumenta ainda que o traficante já vem trabalhando como auxiliar de serviços gerais na cadeia, além ter feito cursos profissionalizantes.

Paulo Muleta, de 51 anos, também é apontado pela polícia como chefe do tráfico em comunidades do Lins, além do morro da Formiga, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Ele está preso desde dezembro de 2015, quando foi capturado em um apartamento luxuoso com vista para o mar em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Veterano no crime, ele foi preso pela primeira vez em 1997. Atualmente, cumpre pena de 19 anos, 4 meses e 22 dias de prisão por crimes como tráfico de drogas e associação para o tráfico.

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Moradores expulsos

As investigações da Polícia Civil sobre a expulsão de moradores na comunidade do Tirol tiveram início depois que um morador fez um registro de ocorrência na 41ª DP (Tanque) denunciando que tinha sido obrigado a deixar sua residência. A polícia tem recebido outras denúncias, mas por medo, muitas pessoas acabam não formalizando as acusações.

Na última segunda-feira, policiais da delegacia do Tanque realizaram uma operação na Tirol e prenderam um homem que vendia drogas. Com ele, além de cocaína, crack e maconha, foi apreendido um caderno de contabilidade do tráfico com anotações sobre a comercialização de entorpecentes. Em uma das folhas, há uma anotação que faz menção ao chefe do tráfico na comunidade. “Pago P Muleta 10.000”, diz o texto.

Os traficantes tomaram a comunidade do Tirol após uma disputa com milicianos pelo controle da região. Em junho de 2020, uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público prendeu diversos paramilitares que atuavam na região, incluindo o soldado da Polícia Militar Anderson Gonçalves de Oliveira, acusado de chefiar o grupo.

A comunidade fica localizada no final da rua Tirol, que tem início ainda no Centro da Freguesia. Nas imediações, há uma extensa área de mata que desemboca na serra por onde passa a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, próximo ao Complexo do Lins.

A Polícia Civil pede que moradores procurem a 41ª DP para denúncias. As informações podem ser passadas pelo WhatsApp da unidade (21 2332-2577) e não é preciso se identificar.